Economia

Banco Mundial apoia plataforma de créditos de carbono na 'blockchain' para atrair investimento para a descarbonização

Foto: Getty Images
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A International Finance Corporation, do Banco Mundial, vai financiar uma plataforma de créditos de compensação de carbono com base na blockchain

A International Finance Corporation (IFC), do Banco Mundial, vai financiar uma plataforma de créditos de compensação de carbono com base na tecnologia blockchain. O objetivo é atrair capital para os esforços de descarbonização ao transformar os créditos em ativos financeiros digitais (tokens), segundo notícia da Reuters desta quarta-feira, 17 de agosto.

As empresas envolvidas são a Aspiration, especializada em soluções financeiras de sustentabilidade, a tecnológica Chia Network, e a Cultivo, uma plataforma de investimento em projetos de fomento de biodiversidade. Para já, a Verra, a empresa que detém o maior registo global de créditos de compensação de carbono, está a discutir com a IFC um eventual papel na plataforma, de seu nome Carbon Opportunities Fund, Fundo de Oportunidades de Carbono em português.

O Fundo de Oportunidades de Carbono vai funcionar da seguinte forma: a Aspiration e a Cultivo, com base no seu conhecimento de mercado, irão escolher projetos aos quais o Fundo irá adquirir créditos de carbono, financiando-os.

Os créditos serão 'tokenisados', isto é, convertidos em ativos digitais com base na blockchain, com tecnologia da empresa Chia. O Banco Mundial vai fornecer os dados necessários ao acompanhamento dos créditos através da base de dados "Climate Warehouse", explica a Reuters.

Segundo o Fundo, poderão ser comprados até ao final de 2022 entre 250 mil e 300 mil toneladas de créditos. Nos próximos meses, se cumprirem os critérios exigidos pelo Fundo, poderão ser adquiridos até um milhão de toneladas em créditos, segundo a agência.

Créditos de compensação de carbono são obtidos por organizações que executam iniciativas que são negativas em carbono, como plantação de árvores ou substituição de combustíveis fósseis por energias renováveis.

A transformação destes créditos em 'moedas', e o seu registo na blockchain - um sistema digital que assegura a confirmação, o registo imutável, de transações com essas 'moedas' - vai permitir que esses créditos possam ser comercializados mais facilmente e com um mercado potencial muito maior. O gasto de um 'crédito' de carbono por um indivíduo ou por uma organização fica registado na blockchain, pelo que esse token deixa de ser utilizável.

Porém, a 'tokenisação' de créditos de carbono é um tema espinhoso, já que a tecnologia blockchain necessita de muita energia para operar, o que tem em si um impacto ambiental muito significativo.

O Fundo foi alvo de um financiamento inicial de 10 milhões de dólares (cerca de 9,8 milhões de euros ao câmbio atual) para teste de conceito.

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