Economia

Inflação: Alemanha corta no IRS e devolve 10 mil milhões de euros aos contribuintes

12 agosto 2022 13:18

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A Alemanha avança com um novo plano para combater o disparo dos preços, que alivia o IRS aos rendimentos médios e baixos. Vários países europeus estão a avançar com medidas

12 agosto 2022 13:18

A Alemanha está a planear um alívio da carga fiscal que rondará os 10 mil milhões de euros, por forma a ajudar as famílias a suportar os aumentos provocados pela inflação, tornando-se assim o mais recente país a fazer um plano anticrise.

O plano alemão prevê um aumento da isenção de imposto sobre o rendimento entre aqueles que têm um rendimento mais baixo. Assim, em vez dos atuais 10.347 euros anuais isentos, no próximo ano estará isento quem recebe até 10.632 euros em em 2024 quem recebe até 10.932 euros.

Além do mais, outros valores da tabela vão sofrer alterações.

"Reformados, trabalhadores sujeitos a contribuições para a segurança social, trabalhadores por conta própria: vão beneficiar pessoas de todo o espectro da sociedade", sublinhou o ministro das Finanças alemão, Christian Lindner, ao anunciar um plano que deve ainda ser negociado com os sócios maioritários da formação do Governo, o Partido Social Democrata (SPD) e os Verdes.

Também o abono de família irá sofrer um aumento. No próximo ano, o primeiro, segundo e terceiro filhos vão receber 227 euros por mês cada um, contra os atuais 219. Em 2024 o valor será de 233 euros.

Antes deste pacote o governo alemão tinha já apresentado, em abril, um conjunto de medidas direcionadas às empresas.

O pacote anterior incluía um total de 107 mil milhões de euros em empréstimos, dos quais 100 mil milhões garantidos pelo Estado e ainda ajudas financeiras diretas a algumas empresas cujos custos com energia mais do que duplicaram e a empresas consideradas sistematicamente relevantes, como as que fornecem gás e eletricidade. Além do mais, a Alemanha tinha também anunciado já um apoio para os combustíveis, cortando no imposto associado.

Europa acelera medidas

Já em Abril, Espanha tinha aprovado o seu pacote anticrise. O pacote incluía a redução fiscal nas faturas de eletricidade, um subsídio na compra de combustível, o aumento do rendimento mínimo garantido, e uma ajuda direta aos setores do transporte, agricultura, pesca e indústria de energia intensiva.

Em França foi aprovado recentemente um pacote, que inclui um limite da subida das rendas a 3,5%, aumento das pensões e também ajuda na compra de combustível.

Já esta sexta-feira o congresso norte-americano vota a "Lei de Redução de Inflação". Trata-se de um pacote de medidas dirigido ao combate às alterações climáticas, à redefinição dos preços e poderes no sistema de saúde, e a uma redistribuição da carga fiscal no país. Se o plano for aprovado, a despesa com medicamentos irá deixar de ser ditada unilateralmente pelas farmacêuticas - uma área que pesa muito no bolso das famílias norte-americanas. Adicionalmente, prevê-se que as empresas com uma faturação acima de mil milhões de dólares por ano terão de pagar uma taxa mínima de 15% sobre os lucros.

Por cá, no debate do Estado da Nação, antes das férias parlamentares, o primeiro-ministro anunciou que será apresentado em setembro um novo pacote de medidas para apoiar o rendimento das famílias e a atividade das empresas.