Economia

Portugueses enchem o Algarve e garantiram um terço da ocupação total dos hotéis em julho, apesar de os preços terem subido 15%

Portugueses enchem o Algarve e garantiram um terço da ocupação total dos hotéis em julho, apesar de os preços terem subido 15%
Vila Galé Lagos

Até meados de outubro as reservas nos hotéis mantêm-se em alta, tendo as ocupações em julho ultrapassado em 4,3% as de 2019, que foi "o melhor ano de sempre", muito graças aos hóspedes portugueses, segundo a AHETA

O Algarve está a viver um verão turístico acima das expectativas, e muito graças aos próprios portugueses. Em julho, os hóspedes portugueses garantiram 33% da ocupação total dos hotéis na região, seguidos dos ingleses com 25%, dos irlandeses com 10% ou de espanhóis ou alemães, com uma parcela de 5% cada, segundo dados da Associação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA).

"O Algarve está cheio. Tivemos quase 88% de ocupação nos hotéis em julho, o que é um resultado espetacular, e ultrapassámos em 4,3% os números de 2019, que foi o melhor ano de sempre", salienta Helder Martins, presidente da AHETA.

A grande afluência de portugueses ao Algarve em julho (que também se está a verificar em agosto) não "surpreende" o presidente da associação hoteleira. "Já há condições para sair de casa, e as pessoas estão ávidas de sair, por outro lado, foi um mês em que houve muita confusão nos aeroportos para os que queriam viajar, e tudo isto ajudou a que muitos portugueses decidissem fazer férias no Algarve", explicita Helder Martins.

As tipologias turísticas procuradas pelos portugueses vão das mais caras às mais económicas. "Nota-se de tudo um pouco: vemos portugueses em hotéis de cinco estrelas ou a frequentar restaurantes de topo, mas também em apartamentos turísticos", adianta o presidente da AHETA, referindo que a procura está a ser tanta que "há bons restaurantes completamente cheios e que não aceitam mais reservas até 15 de agosto".

57% dos portugueses da Grande Lisboa e Grande Porto foram de férias ao Algarve em julho

Apesar de agosto ser considerado o principal mês de férias a nível nacional, em julho "já houve uma considerável parte da população de férias, que se deslocou sobretudo para o Algarve mais do que para qualquer outro destino", segundo um estudo realizado pela PSE, empresa especializada em pesquisa avançada e 'data science'.

Em julho, o Algarve foi o destino eleito por 57% dos portugueses que residem na Grande Lisboa e Grande Porto - cujas áreas metropolitanas somam quase quatro milhões de pessoas com mais de 15 anos - entre os 23% que fizeram férias fora da residência, segundo conclui o estudo. Contas feitas, cerca de 13% da população total das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto rumaram ao Algarve de férias no mês passado.

A preferência dos portugueses por regiões algarvias foi quase equitativa entre o barlavento e o sotavento (51% e 49%, respetivamente), e, na análise por classes sociais, o estudo apurou que 52,6% dos portugueses que foram ao Algarve em julho são da classe baixa e média baixa, 21,8% da classe alta e média alta, e os restantes 25,6% da classe média.

O estudo da PSE resultou com recolha da monitorização de localização e meios de deslocação via aplicação móvel de um painel de 3670 indivíduos com mais de 15 anos, residente nas regiões do Grande Porto, Grande Lisboa, Litoral Norte, Litoral Centro e Distrito de Faro, apresentando uma margem de erro de 1,62% e um intervalo de confiança de 95%.

Além dos portugueses, a AHETA também dá conta de uma grande afluência ao Algarve de turistas de várias nacionalidades, destacando-se o "aumento muito grande de norte-americanos", que asseguraram 2,4% do total de dormidas em julho e são cada vez mais expressivos para o negócio imobiliário "a comprar casa no Algarve", segundo frisa Helder Martins.

"A nível de reservas, a procura está muito boa até à primeira quinzena de outubro, em que entra a época de golfe e também os congressos", nota o presidente da AHETA.

"Os preços aumentaram, naturalmente, e o aumento no Algarve foi até 15%. Mas, mesmo pagando mais, as pessoas não fazem disso um cavalo-de-batalha", faz notar o responsável da associação hoteleira, referindo que a faturação dos hotéis na região aumentou 17% em julho, em média, mas que não se irão traduzir em aumentos finais de resultados devido à subida de custos de produção "que não conseguimos transferir na totalidade para os clientes".

No geral, as perspectivas para este ano estão em alta na região. "Se tudo correr bem, e sem surpresas, podemos ter no Algarve já em 2022 um excelente ano, como se previa que viesse a ser 2023", refere o presidente da associação hoteleira do Algarve. "É bom sair de uma crise, e com um sinal tão forte".

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