Economia

Wall Street responde em alta à subida da taxa de juro pela Reserva Federal

27 julho 2022 23:08

Em Nova Iorque, em julho, o índice S&P das 500 maiores cotadas ganhou 8% e o Nasdaq disparou 11,4%

timothy a. clary/getty images

Alguns analistas de Wall Street estão mais pessimistas e admitem que a Fed possa não optar por subidas da taxa de juro mais moderadas, em particular quando a inflação acelerou para 9,1%, o ritmo anual mais rápido em 41 anos

27 julho 2022 23:08

A praça nova-iorquina encerrou esta quarta-feira em alta, com uma forte valorização das tecnológicas, no dia em que a Reserva Federal (Fed) subiu a taxa de juro de referência em 75 pontos-chave para procurar responder ao crescimento dos preços. Naquela que foi uma decisão há muito antecipada, a Fed colocou a sua principal taxa de juro de referência no nível mais alto desde 2018, no intervalo entre 2,25% e 2,50%.

Durante uma conferência de imprensa, o presidente da Fed, Jerome Powell, sugeriu que as subidas da taxa já têm resultados no arrefecimento da economia e no alívio das pressões inflacionistas. Alguns em Wall Street viram aqui um sinal de que a Fed pode não vir a subir a taxa de uma forma tão agressiva, o que provocou um movimento de aquisições na última hora da sessão.

Os resultados definitivos do dia indicam que o índice tecnológico Nasdaq subiu 4,1%, no que é o seu maior ganho diário em cerca de dois anos. Já o alargado S&P500 avançou 2,6% e o seletivo Dow Jones Industrial Average 1,4%.

Subidas da taxa de juro de referência como a de hoje, a quarta no que vai do ano, torna o crédito mais acro e arrefece a economia. A esperança é que a Fed e outros bancos centrais encontrem forma de a economia arrefecer o suficiente para reduzir a inflação, mas sem provocar uma recessão.

“A Fed aumentou a taxa nos esperados 75 pontos-base, mas reconheceu que a economia está a abrandar enquanto o mercado de trabalho permanece forte”, disse Jay Hatfield, presidenet executivo (CEO) da Infrastructure Capital Advisors. “A declaração (comunicado final) foi relativamente suave e incentivou o movimento de compras no setor tecnológico, que começou de manhã”, acrescentou.

Mas alguns analistas de Wall Street estão mais pessimistas e admitem que a Fed possa não optar por subidas da taxa de juro mais moderadas, em particular quando a inflação acelerou para 9,1%, o ritmo anual mais rápido em 41 anos.

Charlie Ripley, estratega senior de investimento na Allianz Investment Management, considerou “garantida” a futura subida da taxa. “Isto dito, a informação económica recente está a aumentar a incerteza quanto ao caminho na política que se deve seguir a partir de agora”, ponderou.

Em nota de hoje, analistas do Citi disseram que, apesar de Powell mencionar que um abrandamento nas subidas da taxa seria apropriado em algum momento, está por determinar quando exatamente, e acentuaram que “não se vê isto como um comentário particularmente suave”.

Como justificação do seu entendimento, argumentaram que “continua-se a esperar que a inflação continue a pressionar a Fed a fazer subidas (da taxa de juro) mais agressivas do que eles ou os investidores antecipam”.

Em concerto, esperam mesmo que a Fed faça outra subida de 75 pontos-base na próxima reunião do seu comité de política monetária (FOMC, na sigla em Inglês), com mais subidas a ocorrerem no início de 2023.