Economia

Portugueses entre os mais descrentes na função pública e na independência do poder judicial

13 julho 2022 13:45

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Inquérito conduzido pela OCDE em 22 países coloca os portugueses entre os que menos confiam na integridade da função pública e na independência do poder judicial

13 julho 2022 13:45

Os cidadãos têm, em geral um baixo nível de confiança no poder político, judicial e no Estado mas, em Portugal, o nível de ceticismo é maior. Um inquérito conduzido pela OCDE - Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico a um conjunto de 22 países conclui que, por cá, uma proporção maior de portugueses acha que os decisores públicos estão muito expostos a promiscuidades, que os tribunais não são independentes e que os funcionários públicos são permeáveis à corrupção.

Os portugueses também estão entre os que menos acreditam que o Estado trate pobres e ricos por igual. Pela positiva, destaca-se um nível de confiança acima da média na capacidade do Governo de fazer frente a outra pandemia, e na qualidade do sistema de saúde e de educação.

De acordo com o relatório “Building trust to reinforce democracy”, esta quarta-feira divulgado, no conjunto dos 22 países da OCDE analisados, em média, 40,16% dos inquiridos considera provável que os seus funcionários públicos recusem um suborno. Em Portugal, apenas 29,5% acha provável que o suborno seja recusado. Pelo contrário, praticamente 50% dos inquiridos acha provável que o suborno seja aceite (49,56%), o que coloca Portugal na lista como o terceiro país com menos confiança nos servidores do Estado (só o México e a Colômbia pontuam pior).

Colocando uma lupa sobre a função pública, a polícia e o sistema de justiça estão entre as instituições mais respeitadas, lá fora como em Portugal, mas, enquanto na média da OCDE a maioria dos cidadãos acredita na independência do poder judicial, por cá não. É maior a percentagem de inquiridos que acha “pouco provável” que as decisões judiciais não sejam politicamente influenciadas do que os que acham ser provável (34,66%). Portugal é, depois do Japão, Colômbia e Letónia, o país com mais inquiridos descrentes.

Os portugueses estão também entre os que acham que o Estado, quando nasce, não é para todos. 51,75% dos inquiridos consideram “improvável” que pobres e ricos sejam tratados da mesma forma pelos serviços públicos, um pessimismo que só é suplantado pela Colômbia (58,51%). Na média da OCDE, há mais inquiridos a achar que todos são tratados por igual (39,95%) do que ao contrário (37,78%).

Saúde e educação com avaliação positiva

Apesar do seu maior nível de desconfiança, os portugueses estão entre os que mais acreditam que a opinião dos cidadãos levará os governos a ajustarem as suas opções politicas, e que as reclamações levarão os serviços públicos a melhorarem a qualidade da sua prestação.

Igualmente mais favorável é a perspetiva sobre as respostas políticas no sistema de saúde e o funcionamento da educação. Mais de metade dos portugueses inquiridos (51,94%) considera que o Estado estaria preparado para proteger a vida dos cidadãos numa nova pandemia, uma percentagem acima da média da OCDE (49,4%). E 62,9% dos inquiridos mostra-se globalmente satisfeito com o sistema de saúde português (61,7% na OCDE).

Na educação, a avaliação nacional também está acima da média. 60,5% dos portugueses inquiridos mostra-se "satisfeito" com a edução, contra 57,6% na OCDE.

O levantamento da OCDE abrange Áustria, Austrália, Bélgica, Canadá, Colômbia, Coreia, Dinamarca, Estónia, Finlândia, França, Irlanda, Islândia, Japão, Letónia, Luxemburgo, México, Noruega, Nova Zelândia, Países Baixos, Reino Unido e Suécia. Em Portugal, participaram 1888 cidadãos.