Economia

Durão Barroso: "Não podemos continuar na posição de dependência energética em que estivemos tanto tempo"

10 maio 2022 14:18

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

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"Hoje todos concordarão que devemos fazer mais para reduzir a dependência da Rússia", afirmou Durão Barroso numa conferência promovida esta terça-feira pelo banco Goldman Sachs

10 maio 2022 14:18

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O presidente não executivo do banco Goldman Sachs, José Manuel Durão Barroso, defende que na Europa "não podemos continuar na posição de dependência energética [da Rússia] em que estivemos tanto tempo".

"Hoje todos concordarão que devemos fazer mais para reduzir a dependência da Rússia", afirmou Durão Barroso durante uma conferência digital promovida esta terça-feira pelo Goldman Sachs sobre a guerra na Ucrânia e a transição energética europeia.

Para o antigo presidente da Comissão Europeia, "haverá oportunidades suficientes" para os investidores apostarem em matéria de descarbonização, mas ao mesmo tempo, lembrou, "há países a adiar o abandono do carvão".

Durão Barroso notou ainda que há "pressões enormes" quer em termos de inflação, quer sobre os orçamentos nacionais, que poderão condicionar a aposta na transição energética, defendendo a existência de "lideranças fortes". "É necessária uma verdadeira liderança para alcançar uma coligação mais ampla para o combate às alterações climáticas", referiu o chairman do Goldman Sachs.

Na mesma conferência Durão Barroso declarou também que "é indispensável criar os incentivos certos" ao nível do quadro regulatório para a aposta nas energias limpas. "É importante criar uma espécie de parceria público-privada, porque o sector privado sozinho não chega", comentou.

Na conferência promovida pelo Goldman Sachs o diretor de banca de investimento desta instituição financeira, Gonzalo Garcia, assegurou que continua a haver "um mercado muito ativo de fusões e aquisições em torno da transição energética", apesar das incertezas criadas pela guerra na Ucrânia.

"Os últimos dois meses não foram particularmente bons, mas pensamos que é temporário, e voltará a haver investimento", apontou Gonzalo Garcia, reiterando que "as empresas [de energia] continuam a levantar capital".