Economia

Ativos sob gestão em Portugal crescem 2,4 mil milhões no quarto trimestre mas estão aquém de 2020

10 fevereiro 2022 17:14

Foto: Getty Images

Os ativos sob gestão coletiva conseguiram elevar-se face ao obtido no quarto trimestre de 2020, mas o mesmo não aconteceu com os ativos de gestão individual

10 fevereiro 2022 17:14

O valor dos ativos sob gestão individual e coletiva de carteiras em Portugal atingiu 71,7 mil milhões de euros no quarto trimestre de 2021, mais 2,4 mil milhões do que no trimestre anterior, mas menos 6,3 mil milhões do que no período homólogo de 2020, informou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Na gestão individual de ativos, o montante dos ativos cresceu 2,3% face a setembro, para 37.623,4 milhões de euros, e diminuiu 23% em relação ao mesmo período do ano anterior. Portugal manteve-se como principal destino de investimento (19,4% do total), enfrentando ainda assim uma queda trimestral de 2,4%. Seguiu-se a Alemanha, que desceu 2% no trimestre, e Espanha, que cresceu 1,7%.

A Caixa Gestão de Ativos liderava este segmento de mercado no trimestre, com uma quota de 25,2%, correspondente a 9.476,2 milhões de euros de ativos sob gestão, seguida da Santander Asset Management (15,7%) com 5.900,2 milhões, e do Banco Comercial Português (14,3%) com 5.377,5 milhões.

Os valores mobiliários cotados e as unidades de participação representavam 90,2% das aplicações. 161,5 milhões de euros foram destinados ao investimento em ações nacionais, mais 4,6% que no trimestre anterior mas menos 71,4% face ao período homólogo. 

As aplicações em dívida pública nacional diminuíram 2,3% em relação ao final do terceiro trimestre, para 7.021,3 milhões de euros, e os montantes aplicados em dívida pública estrangeira aumentaram 1,6% face aos três meses anteriores e diminuíram 32,6% em relação ao período homólogo. As aplicações em obrigações emitidas por entidades nacionais caíram 15% no trimestre, para 117,1 milhões de euros, e as emitidas por entidades não residentes recuaram 1,6% para 5.738,7 milhões de euros.

Instrumentos coletivos captam mais interesse

Já olhando à gestão coletiva de carteiras, o valor gerido pelos fundos totalizou 34.082,8 milhões de euros no quarto trimestre, mais 4,7% do que nos três meses anteriores e mais 17% do que no período homólogo, mostrando uma evolução mais positiva que no caso da gestão individual de ativos.

O investimento em ativos mobiliários, que engloba os OICVM –  organismos de investimento coletivo em valores mobiliários e os FIA – fundos de investimento alternativo mobiliário, totalizou 19.859,3 milhões de euros no final de dezembro, o que representa uma subida de 8% face a setembro e de 35,4% em relação ao período homólogo. O valor destas carteiras subiu em ambos os casos – 8,2% no caso dos OICVM e 1,2% no caso dos FIA. 

Nos OICVM, o valor sob gestão dos fundos de ações aumentou 20,9%, o dos fundos de obrigações caiu 3,2% e o dos fundos poupança reforma (FPR) subiu 9,2%. Em sentido contrário, o valor dos fundos do mercado monetário teve um decréscimo trimestral de 3,4%.

Os principais destinos de investimento em valores mobiliários no exterior foram os Estados Unidos (captando 17,7% do total aplicado), a Alemanha (16,2%) e o Luxemburgo (12%). Portugal captou 4%, tendo 29,9% do valor das aplicações sido efetuado em ações, 13,1% em dívida pública e 42,7% em dívida privada.

A Caixa Gestão de Ativos foi a entidade gestora com a maior quota de mercado neste segmento (35,0%), seguida da IM Gestão de Ativos (21,7%) e da BPI Gestão de Ativos (17,1%).

Imobiliário com variações mais modestas

No investimento em ativos imobiliários, efetuado através de FII – fundos de investimento imobiliário e FEII- fundos especiais de investimento imobiliário, o valor sob gestão foi de 10.559,2 milhões de euros, subindo 1,6% face ao trimestre anterior. Nos fundos de gestão de património imobiliário (FUNGEPI) o montante sob gestão decresceu 2,7% face a setembro, para 402,3 milhões de euros.

A Square Asset Management apresentava a quota de mercado mais elevada no trimestre (11,6%), seguida da Interfundos (11,2%) e da Caixa Gestão de Ativos (8,4%).

Os fundos de titularização de créditos (FTC) geriam 3.262,1 milhões de euros no final de dezembro, menos 2,7% do que no trimestre anterior e menos 10,2% do que no período homólogo. Os créditos hipotecários, com um peso de 99,1% no total de investimentos, continuavam a ser o principal ativo em carteira, tendo descido 2,9% face ao trimestre anterior e 10,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, para 3.233,7 milhões de euros.