Economia

Elisa Ferreira pede “estratégia muito clara de desenvolvimento” para as regiões estagnadas de Portugal e da Europa do Sul

9 fevereiro 2022 13:04

A comissária europeia, Elisa Ferreira. Foto: União Europeia

Relatório da Coesão mostra maioria das regiões portuguesas presas na chamada “armadilha do desenvolvimento”, apesar dos sucessivos apoios comunitários

9 fevereiro 2022 13:04

A maioria das regiões portuguesas permanece mais de uma década na chamada “armadilha do desenvolvimento”, incapaz de progredir no caminho da convergência com o PIB per capita da União Europeia, não obstante os sucessivos envelopes de fundos comunitários a que têm tido direito da política de coesão europeia.

O Relatório da Coesão divulgado esta quarta-feira pela Comissão Europeia mostra que Portugal – a par da Espanha, da Grécia ou do Mezzogiorno italiano (o Sul de Itália) – apresenta várias regiões estagnadas, presas à tal “armadilha” do desenvolvimento.

Em particular, o mapa do Relatório da Coesão (divulgado em inglês) mostra quantos anos cada região permanece sem convergir para um patamar de desenvolvimento mais próximo do padrão europeu. Por exemplo, regiões abaixo de 75% do PIB per capita europeu (a rosa) ou entre 75% e 100% do PIB per capita europeu (a amarelo).

Número de anos que cada região permanece na chamada “armadilha do desenvolvimento” Fonte: Relatório da Coesão

Número de anos que cada região permanece na chamada “armadilha do desenvolvimento” Fonte: Relatório da Coesão

Sobre estas regiões, o Relatório da Coesão explica que “entre 2001 e 2019, o seu crescimento do PIB per capita foi bastante abaixo da média da União Europeia”. O crescimento da produtividade e a criação de emprego nestas regiões também desapontaram em comparação com outras regiões. O sector industrial é pequeno e os seus sistemas de inovação e educação e qualidade institucional não são suficientemente robustos para conseguirem competir a um nível global.

Mais reflexão e sofisticação

“Tem de haver bastante mais reflexão e sofisticação nas estratégias de desenvolvimento”, explicou, numa conferência de imprensa realizada esta quarta-feira, a comissária europeia para a coesão e reformas, Elisa Ferreira, sobre o “alçapão” em que caiu a Europa do Sul após o impulso inicial de convergência decorrente do investimento primário em estradas, redes de saneamento básico e outras infraestruturas essenciais.

A comissária europeia explica como o pacote sem precedentes de fundos europeus pode ajudar estas regiões de Portugal e da Europa do Sul a saírem da tal armadilha que tem impedido maior convergência com a União Europeia.

“Há uma enorme oportunidade, neste momento, de fazer essa ultrapassagem. Mas isto requer uma estratégia muito clara de desenvolvimento que tenha o espaço como referência”, diz Elisa Ferreira, aludindo às especificidades de cada território.

“Importa apostar, de facto, numa análise cuidada de quais são os vetores em que se pode ancorar o salto de competitividade. Seja a entrada nos ecossistemas europeus industriais de alta projeção no futuro; a aposta muito grande na inovação e na transferência do know-how dos centros de investigação e das universidades para as empresas; ou a qualificação da administração pública”, exemplifica a comissária europeia.

“De facto, é todo um pacote de incentivos para uma estratégia que seja clara para saída desta situação a que também chamamos de alçapões do rendimento médio ou middle income trap“, afirmou.

Chamando a atenção para a abundante informação do novo Relatório da Coesão, Elisa Ferreira apelou ao debate sobre como “reforçar o papel das instituições a nível local, a administração pública, a inovação ou a educação”. O objetivo é “passar para níveis superiores de rendimento e para salários mais elevados sem perder competitividade”. Tal implica que “a produtividade tem de crescer mais, através da inovação e do aproveitamento das novas tecnologias”.