Economia

BPI: novos prazos no crédito à habitação vão conter preços das casas, mas não vão baixá-los

2 fevereiro 2022 13:50

Medida do Banco de Portugal terá impacto no imobiliário residencial, diz o presidente do BPI. Oliveira e Costa acredita que juros continuarão negativos este ano

2 fevereiro 2022 13:50

O BPI considera que os novos limites nos prazos de créditos à habitação, anunciados pelo Banco de Portugal esta semana, vão ter impacto no mercado imobiliário residencial. Os preços não vão descer, mas a subida deverá ser mais limitada.

“Continua a haver procura substancial, o mercado ajustar-se-á aos prazos que o supervisor definiu. Mas pensamos que poderá ter algum impacto no preço das casas”, começou por dizer João Pedro Oliveira e Costa, o presidente executivo (CEO) do banco BPI, na conferência de imprensa de apresentação de resultados esta quarta-feira, 2 de fevereiro, que teve lugar em Lisboa (o banco triplicou os lucros face a 2020).

“Os preços vão crescer mais lentamente, é o que antevejo”, concretizou, afastando a hipótese de recuo dos preços.

Em causa está o objetivo definido pelo Banco de Portugal de fazer com que os novos empréstimos à habitação não tenham prazos médios superiores a 30 anos. Assim, os jovens adultos vão ser afetados: só quem tem 30 anos ou menos conseguirá empréstimos a 40 anos. A maturidade máxima é de 37 anos para quem tem mais de 30 anos e até 35 anos (inclusive), e de 35 anos acima, a maturidade máxima dos novos empréstimos é de 35 anos.

“Numa determinada fasquia onde é utilizado mais crédito terá de haver certo ajuste”, disse o CEO do BPI sobre a medida que entra em vigor a partir de abril.

Recorde no crédito à habitação

A nível de crédito à habitação, o BPI tinha 13,1 mil milhões de euros concedidos no fim de 2021, um avanço de 9% em relação ao ano anterior. Cerca de 2,4 mil milhões foram contratados só no último exercício, o que corresponde a um aumento homólogo de 40%. “É um recorde histórico”, disse Oliveira e Costa.

A carteira total de crédito a clientes (bruto) aumentou 7,1% para 27,5 mil milhões de euros. Os recursos (onde estão os depósitos) somaram 9%, totalizando 40,3 mil milhões.

Juros negativos até 2023

Entretanto, sobre a evolução futura dos juros nos créditos, agora em níveis negativos devido à política do Banco Central Europeu, a expectativa é que a mudança não seja brusca. Aliás, em 2022, nem deve haver subidas a terreno positivo.

“Passar a fasquia do zero e ficar muito próximo, mas acima, só em 2023”, estimou o CEO do banco, que recomenda que, dada a incerteza, a taxa fixa seja a escolha de quem tem um “orçamento relativamente estável”. “Perto de 30%” da carteira é já em taxa fixa, que não fica dependente da evolução de indicadores dos mercados, como as taxas Euribor, que evoluem à base das taxas diretoras do BCE.