Economia

Banco central da China baixa taxa de juro e desvaloriza divisa

20 dezembro 2021 12:11

Parada na Praça Tiananmen, em Pequim

roman pilipey / epa

Em sentido contrário à maioria dos bancos centrais nas economias emergentes, que têm estado a subir as taxas de referência, o Banco Popular da China decidiu esta segunda-feira descer a taxa de financiamento a 12 meses para 3,8% e desvalorizar em 0,3% o yuan em relação ao dólar. A orientação de Pequim é para manter um nível amplo de liquidez no mercado e inverter a desaceleração económica registada no terceiro trimestre

20 dezembro 2021 12:11

O Banco Popular da China (PBOC, na sigla em inglês) decidiu, esta segunda-feira, cortar na taxa de referência a 12 meses, que é vital para o crédito às empresas e à habitação. Pela primeira vez, este ano, desceu aquela taxa de 3,85% (fixada em abril de 2020 em resposta à pandemia) para 3,8%. Este corte é o primeiro em 20 meses, desde que, face à pandemia, o PBOC desceu aquele taxa de 4,05% para 3,85%.

Mas o banco central chinês manteve, esta segunda-feira, em 4,65% a taxa de financiamento a 5 anos, vital para os grupos do sector imobiliário privado que atravessam uma crise, que é sistémica segundo alguns analistas.

Em sentido contrário ao movimento quase generalizado de subida das taxas diretoras pelos bancos centrais das economias emergentes e de algumas economias desenvolvidas (entre elas, o Banco de Inglaterra na semana passada), o PBOC reforça a política de estímulos.

O corte na taxa a 12 meses segue-se à decisão, no início de dezembro, de descer em meio ponto percentual o rácio de reservas obrigatórias dos bancos comerciais, o que permitiu libertar mais liquidez para o financiamento da economia (calcula-se o equivalente a 170 mil milhões de euros).

Também esta segunda-feira, o PBOC fixou o câmbio em relação ao dólar norte-americano em 6,3933 yuan, uma desvalorização de 0,3% em relação ao fecho na sexta-feira.

A orientação política em Pequim é inverter a trajetória de abrandamento da economia (que cresceu apenas 4,9% no terceiro trimestre) no segundo ano de pandemia, garantindo um nível razoável e amplo de liquidez à economia, de acordo com as conclusões da recente Conferência Central de Trabalho sobre Economia organizada pelo Partido Comunista e pelo Conselho de Estado (Governo).

Apesar da inflação nos preços no consumidor ter subido de 1,5% em outubro para 2,3% em novembro, ela continua abaixo do objetivo da política monetária do PBOC, que aponta para um controlo de preços em 3% no médio prazo. O disparo nos preços na produção ainda não está a repercutir-se no consumidor. Os preços na produção aumentaram 13,5% em outubro e 12,9% em novembro (a trajetória de subida inverteu-se). Refira-se que na maior economia do euro, a Alemanha, a subida dos preços na produção é muito mais elevada: subiu de 18,4% em outubro para 19,2% em novembro.

O Banco Popular da China tinha, em outubro, ativos no valor de 6,2 biliões de dólares (5,5 biliões de euros), sendo o quarto banco central com ativos mais valorizados, depois do Banco Central Europeu (que lidera), a Reserva Federal dos Estados Unidos (Fed) e o Banco do Japão (BoJ)

Os ativos do PBOC representam 37% do PIB chinês, um nível similar ao peso dos ativos da Fed no PIB norte-americano, e muito longe do peso do Banco Nacional da Suíça (136% do PIB respetivo), do BoJ (119%) e do BCE (66%).