Economia

Hotelaria vai à CPLP e às Filipinas em busca de mão de obra, diz presidente da AHP

10 novembro 2021 8:15

Raul Martins, presidente da AHP

antónio cotrim/lusa

Para quem vem de Cabo Verde "a situação a nível diplomático não está a funcionar". Do Brasil há o problema das vacinas, pois a maioria dos brasileiros está vacinado com uma vacina não aprovada na Europa. Filipinas também é uma opção por facilidade de integração

10 novembro 2021 8:15

Na falta de mão de obra portuguesa para trabalhar no turismo, o setor está a tentar "criar fluxos de importação de mão de obra com países específicos, desde logo com os que formam a CPLP [Comunidade dos Países de Língua Portuguesa]", disse o presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Raul Martins, em entrevista ao "Público".

Segundo o responsável, é comum as pessoas de Cabo Verde da área da hotelaria e do turismo quererem vir para Portugal, mas precisam de autorização "e só lhes dão se tiverem emprego, e nós, Portugal, estamos a dizer que temos emprego para dar mas a situação a nível diplomático não está a funcionar". Já com o Brasil, o problema é quanto à vacina, uma vez que também era comum virem trabalhar para o setor em Portugal, mas a maioria dos brasileiros foi vacinado com uma vacina não aprovada na Europa.

"Fora da CPLP, identificamos países de fácil integração, como é o caso das Filipinas. Porque são hispânicos, e de uma maioria católica, o que lhes dá uma facilidade de integração na nossa cultura, e estamos em contacto com o Ministério do Trabalho para se implementar essa circulação", disse.

Quanto à recuperação do setor, Raul Martins diz que ainda deverão estar fechados cerca de 10% do total dos hotéis, mas que 2023 "poderá ser igual a 2019", pois está confiante na recuperação do turismo de negócios.

Para a recuperação mais imediata há, porém, alguns problemas, nomeadamente o caso das moratórias. "Os bancos não anuíram a esta situação [garantias do Estado] (...) O que os bancos estão a fazer é analisar caso a caso, mas não deverão superar os dois anos de moratória, e o que se perspetiva é que os que não tiverem um endividamento elevado consigam pagar os juros e, depois, começar a pagar o financiamento que tinham, sendo que o que não foi pago nestes dois anos vai para o fim".

Quanto à crise política, apesar do turismo ser "das atividades que depende menos do Governo", noutra entrevista, ao "Diário de Notícias, o presidente da AHP considerou que "os investimentos na hotelaria para a recuperação de instalações, instalação de novas formas de energia, podem ter algum atraso".

Mas é o aeroporto o que mais preocupa o responsável. "Estamos muito preocupados porque, não indo ao exagero que a ANA colocou nas previsões, na melhor das hipóteses temos quatro anos até haver aeroporto", disse ao "Público".

Ao "Diário de Notícias" referiu ainda que continua a ser favorável à solução "Portela+1" e deu como exemplo Paros: "Em Paris, o aeroporto de Orly está encostado a Paris e o Charles DeGaulle está bem afastado, sendo o hub, o que não significa que tenha apenas voos intercontinentais. Não podemos perder a Portela porque é uma vantagem estratégica do país".