Economia

Faltam 15 mil trabalhadores nos hotéis e recrutar estudantes em tempo parcial para servir pequenos-almoços pode ser uma solução

10 novembro 2021 20:16

bloomberg/getty images

O défice de pessoal no turismo, agravado com a pandemia, é um dos temas que vai estar em destaque no congresso da Associação da Hotelaria de Portugal, que começa esta quinta-feira em Albufeira

10 novembro 2021 20:16

A falta de māo-de-obra no turismo agravou-se com a pandemia de covid-19 e atualmente os hotéis nacionais evidenciam um défice que totaliza cerca de 15 mil trabalhadores. Esta conclusão foi avançada por Raul Martins, presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), numa conferência de imprensa que precede a realização do congresso "O Turismo tem Futuro ", que decorre em Albufeira de 10 a 12 de novembro. Em 2020 este congresso anual não se realizou, devido às circunstâncias da pandemia de covid-19.

Esta carência de 15 mil trabalhadores foi apurada após a AHP ter promovido um inquérito interno sobre as necessidades de pessoal nos hotéis, em que 60% dos associados adiantaram ter falta de 7,2 mil trabalhadores.

"Como estamos a falar de uma amostra de cerca de 400 hotéis, numa extrapolação simples podemos avançar que a hotelaria nacional precisa de pelo menos 15 mil trabalhadores ", conclui Raul Martins, que já adiantou estar em negociações com vista a trazer pessoas de países da CPLP para suprir carências de pessoal no sector.

As principais carências de pessoal nos hotéis são sentidas ao nível da recepção, serviço de mesa e cozinha, havendo também unidades a reportar défice de recursos administrativos, de manutenção ou para Spa.

"Esta é uma preocupação geral e mexe com as regras de contratação coletiva, tem de haver aqui uma revolução ", frisa Cristina Siza Vieira, presidente executiva da AHP, referindo: "temos sido, por exemplo, muito rígidos na contratação de estudantes e temos de nos adaptar aos novos tempos".

Neste campo, Raul Martins defende que "uma solução pode ser a de recorrer a estudantes ou outras pessoas para servirem pequenos almoços em tempo parcial". O responsável da AHP lembra que há atualmente limitação do número de horas em que os estudantes podem trabalhar, mas que esta situação está em vias de ser revista pela ministra do Trabalho, Ana Mendes Godinho.