Economia

Corticeira Amorim: vendas sobem 11,5%, lucro cresce 19,6%

4 novembro 2021 17:26

rui duarte silva

Em comunicado, a empresa salienta "o regresso aos níveis de atividade pré-pandemia, tendo as vendas consolidadas superado as dos primeiros nove meses de 2019 em 5,7%". Mesmo assim, há referências aos impactos negativos da "pressão inflacionista" e do agravamento dos custos da energia

4 novembro 2021 17:26

A Corticeira Amorim fechou os primeiros nove meses do ano com subidas de 11,5% nas vendas (637,1 milhões de euros) e de 19,6% nos lucros (58 milhões), a refletir o "crescimento robusto em todas as unidades de negócio", diz a empresa liderada por António Rios de Amorim no comunicado de apresentação de resultados, divulgado esta quinta-feira.

"Após um início do ano ainda marcado pelos efeitos negativos da pandemia Covid-19 sobre as economias e padrões de consumo globais, a evolução favorável iniciada no segundo trimestre manteve-se nos últimos meses, verificando-se crescimento de vendas em todas as unidades de negócio (UN)", refere o comunicado.

E, destaca a empresa, entre janeiro e setembro conseguiu "o regresso aos níveis de atividade pré-pandemia, tendo as vendas consolidadas superado as dos primeiros nove meses de 2019 em 5,7%".

O efeito cambial

Mesmo assim, há uma nota para o impacto desfavorável da evolução cambial sobre as vendas, particularmente nas UN Rolhas e Aglomerados Compósitos. "Excluindo este efeito, as vendas teriam subido 12,7% nos primeiros nove meses de 2021", precisa a Corticeira.

O EBITDA (resultado antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) consolidado atingiu 110,3 milhões de euros (+16,3%), "beneficiando essencialmente do crescimento dos níveis de atividade", enquanto "pressões inflacionistas, nomeadamente de matérias-primas não cortiça, transportes e o inesperado agravamento do preço da energia, tiveram um impacto negativo muito significativo nos resultados operacionais, que foram ainda penalizados pelo referido efeito cambial".

Nos primeiros nove meses de 2021, o rácio EBITDA/vendas da empresa líder mundial na transformação de cortiça subiu para 17,3%, o que compara com os 16,6% do ano anterior.

Quanto à dívida remunerada líquida, no final de setembro, era de 29,9 milhões de euros, contra 110,7 milhões de euros no final de 2020, a refletir a "evolução muito favorável da geração de fluxos de caixa e da redução excecional das necessidades de fundo de maneio (- 55 milhões de euros ), assim como o pagamento de dividendos (25 milhões), as aquisições das participações de 50% na Cold River’s Homestead (15 milhões) e de 10% na Bourrassé (5 milhões).

O nível mais baixo de dívida desde 2017

"Este é o nível mais baixo da dívida remunerada líquida desde junho de 2017", destaca a empresa que vai propor à Assembleia Geral de Acionistas, a realizar no próximo dia 3 de dezembro, a distribuição parcial de reservas distribuíveis de 0,085 euros por ação.

Na análise dos números por unidades de negócios, as rolhas, que representam 70% das vendas consolidadas da corticeira, somaram 455,6 milhões de euros (+11,7%), o que traduz "forte crescimento dos níveis de atividade e uma melhoria do mix de produto" .

As vendas da UN Revestimentos ascenderam 92,9 milhões de euros, uma subida de 7,7% face ao período homólogo, enquanto A UN Aglomerados Compósitos apresentou um crescimento de 19,8%, para 87 milhões de euros, "apesar do impacto negativo da desvalorização do dólar", indica a Corticeira, precisando que excluindo este efeito, as vendas teriam crescido 22,5%

Na UN Isolamentos, as vendas totalizaram 10,7 milhões de euros (+ 20,4%), com crescimento na generalidade dos mercados, particularmente em Portugal, França e Itália.