Economia

Banco central do Japão prevê inflação baixa nos próximos dois anos e mantém política de estímulos

28 outubro 2021 10:26

Haruhiko Kuroda, governador do Banco do Japão

kazuhiro nogi/getty

O Banco do Japão decidiu esta quinta-feira manter a política expansionista que tem seguido não prevendo que a inflação supere 1% nos próximos dois anos, muito aquém do objetivo de 2% da política monetária. Nas previsões apresentadas em Tóquio, o crescimento da economia nipónica terá um pico de 3,4% este ano para desacelerar até 1,3% em 2023

28 outubro 2021 10:26

Ao contrário do vento que sopra na maioria das economias desenvolvidas no sentido de os bancos centrais começarem a reduzir ou mesmo descontinuar as políticas de estímulos, o Banco do Japão (BoJ) reafirmou esta quinta-feira a estratégia expansionista de compra de dívida pública e de controlo da taxa de juro das obrigações a 10 anos em perto de zero por cento. A decisão tomada em Tóquio por esmagadora maioria (oito votos a favor contra um) é anunciada no mesmo dia em que o Banco Central Europeu em Frankfurt conclui a sua penúltima reunião do ano.

Nas previsões económicas apresentadas para a reunião de política monetária, o BoJ reviu em baixa o crescimento para 2021 (para o ano fiscal que se estendeu de março de 2020 a março de 2021) apontando agora para 3,4% em vez de 3,8%, mas corrigiu em alta a projeção para 2022 (para o ano fiscal de março de 2021 a março de 2022),

No novo ano fiscal, o crescimento económico deverá situar-se em 2,9% em vez de 2,7%. Apesar deste otimismo em relação ao novo ano fiscal, a trajetória de crescimento da economia nipónica será descendente nos dois próximos anos - de um pico de 3,4% em 2021 para 1,3% em 2023.

Inflação no Japão não ultrapassará 1% em 2023

Pelo contrário, a trajetória da inflação será ascendente, mas as projeções apresentadas esta quinta-feira pelo BoJ apontam para um máximo de 1% em 2023, bem abaixo do objetivo de 2% prosseguido pela política monetária nipónica. A evolução dos preços no consumidor no Japão esteve em terreno negativo - deflação - desde setembro de 2020 até ao mês passado, subindo para 0,2%. O BoJ prevê que o ano fiscal de 2021 feche com uma inflação na linha de água (0%), acima da previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI) que aponta para uma taxa negativa de -0,17%.

O quadro da inflação no Japão é, por isso, muito distinto do que ocorre nas outras economias desenvolvidas onde se tem assistido a um disparo dos preços no consumidor registando-se níveis muito acima dos objetivos da política monetária dos bancos centrais. Por exemplo, na zona euro, Espanha atingiu 5,5% em outubro, na estimativa divulgada esta quinta-feira.

Com um quadro de inflação baixa (o FMI, mais pessimista, projeta 0,9% em 2026), os banqueiros centrais nipónicos não têm margem para abandonar a política monetária expansionista nos próximos anos.

Canadá termina programa de compra de dívida

A decisão tomada em Tóquio contrasta com a nova estratégia monetária do Banco do Canadá (BoC) que, na quarta-feira, decidiu descontinuar o programa de aquisição de ativos que já vinha a reduzir desde outubro do ano passado.

O banco central canadiano deixou a funcionar, por ora, o plano de reinvestimentos dos títulos que tem em carteira e decidiu não mexer, ainda, na taxa diretora que está num mínimo de 0,25% desde março do ano passado. No início de março do ano passado, antes da pandemia, a taxa estava em 1,25%.

Refira-se que as obrigações da dívida pública canadiana compradas pelo BoC perfazem 85% dos seus ativos que somam mais de 500 mil milhões de dólares canadianos (cerca de 350 mil milhões de euros). O banco tem em carteira mais de 426 mil milhões de dólares canadianos (296 mil milhões de euros) em títulos do governo em que pretende reinvestir.