Economia

Horta-Osório aperta controlo do Credit Suisse

13 setembro 2021 8:20

tiago miranda

O banqueiro português, segundo as fontes ouvidas pelo "Financial Times", reservou para si mais deveres do que os que seria de esperar para o chairman do banco - isto é, mais tarefas executivas - e nomeou, tanto na administração como nas equipas executivas, aliados seus

13 setembro 2021 8:20

Passaram apenas cerca de 130 dias desde que António Horta-Osório chegou ao Credit Suisse para assumir o cargo de presidente não-executivo (chairman) e já está a dar que falar pela forma como está a exercer o seu poder dentro do banco, ao tomar decisões que estarão a diluir a autoridade do presidente executivo (CEO), cargo atualmente ocupado por Thomas Gottstein, reporta o "Financial Times" na sua edição desta segunda-feira.

O banqueiro português, segundo as fontes ouvidas pelo jornal, reservou para si mais deveres do que os que seria de esperar para o chairman do banco - isto é, mais tarefas executivas - e nomeou, tanto na administração como nas equipas executivas, aliados seus.

A forma como está a ser gerido o "comité táctico de crise", composto pelo próprio Horta-Osório e por mais dois executivos do banco - Richard Meddings, presidente dos comités de auditoria e risco, e Christian Gellerstad, presidente do comité de controlo de crimes financeiros - para lidar com os escândalos da Archegos e Greensill, é o pomo da discórdia, já que este comité age como gestor do banco, dando ordens à equipa executiva.

O comité em questão, contudo, já existia antes da chegada de Horta-Osório à presidência não executiva do Credit Suisse.

Os três reunem-se com o CEO e o CFO (administrador financeiro) "frequentemente", diz uma fonte, que acrescenta que Horta-Osório "tem dado ordens a Thomas nestas reuniões. As decisões são dele".

O que, segundo estas fontes, está a enfraquecer o atual presidente executivo da instituição bancária e a fazer com que o clima seja de disputa pelo exercício de poder no banco - apesar de executivos sénior do banco ouvidos pelo FT dizerem que não é o caso: “Por agora, o que ele está a tentar fazer é mentoria e coaching” ao CEO, disse uma fonte.

Depois de dois escândalos que originaram as maiores perdas da história do banco, o gestor português pretende também, segundo as fontes ouvidas pelo jornal, renovar a equipa executiva nos próximos tempos.

(Notícia atualizada às 10h30 para acrescentar que o comité táctico de crise já havia sido criado antes da entrada de Horta-Osório no Credit Suisse)