Economia

Lagarde diz não ao perdão de dívida

19 novembro 2020 11:15

A presidente do BCE, Christine Lagarde

vincent kessler

Esta quinta-feira, numa audiência no Parlamento Europeu, a presidente do Banco Central Europeu recusou a sugestão de um perdão da dívida comprada durante a pandemia. "Os Tratados proíbem-no. Ponto final"

19 novembro 2020 11:15

"Os Tratados proíbem-no. Ponto final", disse, perentoriamente, Christine Lagarde, a presidente do Banco Central Europeu (BCE), respondendo a sugestões no sentido da entidade perdoar a dívida que adquirira durante a pandemia no âmbito dos programas de aquisição de ativos.

A "hipótese de trabalho" de um perdão de dívida pelo BCE foi avançada pelo presidente do Parlamento Europeu numa entrevista ao jornal italiano La Repubblica. David Sassoli, do Partido Democrático italiano, admitiu que não deveria "haver tabus" a este respeito.

A hipótese foi levantada esta quinta-feira na audiência no Parlamento Europeu por outro italiano, o deputado Marco Zanni da Lega, tendo Lagarde procurado colocar um ponto final sobre o tema. "Não especulo sobre cenários alternativos [ao atual quadro dos Tratados]", concluiu Lagarde.

A sugestão referia-se aos títulos de dívida (pública e privada) que o BCE tem em carteira em virtude do programa de compra de ativos que lançou em resposta à pandemia. No âmbito do programa especial conhecido pela sigla inglesa PEEP, o BCE já comprou, até meados de novembro, 662 mil milhões de euros. 90% deste montante são títulos públicos emitidos pelos estados-membros e por entidades públicas supranacionais.

No caso de Portugal, até final de setembro o BCE adquiriu 11,6 mil milhões de euros no âmbito do PEEP.

BCE não irá à bancarrota

Em relação a perguntas sobre a fragilidade do BCE ao engordar o seu balanço com uma carteira gigantesca de ativos, Lagarde respondeu que o banco central "não corre qualquer risco de bancarrota ou de ficar sem dinheiro".

O BCE "será sempre capaz de gerar liquidez adicional", concluiu.