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Auditoria ao Novo Banco (aquela em que Marcelo tanto insiste) já não chega esta semana: Governo “lamenta” e não quer mais vendas

30.07.2020 às 23h09

Novo Banco

Tiago Miranda

Após pedido de investigação do primeiro-ministro à PGR, Ministério das Finanças e Fundo de Resolução solicitam para que não haja mais alienações de carteiras de ativos problemáticos

A auditoria ao Novo Banco, aquela sobre a qual Marcelo Rebelo de Sousa tanto tem insistido e que está a cargo da Deloitte, não vai ser entregue esta semana, como o Governo queria. O Ministério das Finanças “lamenta” que o prazo não seja cumprido. Esta sexta-feira haverá uma reunião em que serão apenas conhecidas “conclusões preliminares” de “secções” do relatório. Sem auditoria, pede João Leão, não deve haver mais vendas de ativos tóxicos.

O Fundo de Resolução, o Novo Banco e a Deloitte vão reunir-se esta sexta-feira, enquanto “comité de acompanhamento operacional da auditoria ao Novo Banco”, para o auditor independente apresentar “conclusões preliminares de um conjunto de secções integrantes do relatório de auditoria, para efeitos do exercício de contraditório pela entidade auditada e solicitação de eventuais esclarecimentos adicionais por parte do Fundo de Resolução”, segundo um comunicado enviado às redações na noite desta quinta-feira pelo Ministério das Finanças.

Não haverá documento completo, apesar de o Governo ter rejeitado o pedido da Deloitte para adiar o prazo da entrega. “O Ministério das Finanças lamenta que, nessa data, o auditor independente não apresente ainda a versão final e definitiva do relatório de auditoria e aguarda que esse relatório seja concluído e dado a conhecer ao Governo e aos partidos representados na Assembleia da República no mais curto prazo possível”, indica o comunicado.

Sem auditoria, o Governo não quer mais vendas - aliás, como ficou patente no pedido do primeiro-ministro à Procuradoria-Geral da República para que olhe para a venda de pacotes de ativos problemáticos. “No contexto deste atraso, o Governo considera que, até à conclusão da referida auditoria, não deverão ser realizadas outras operações de venda de carteiras de ativos improdutivos por parte do Novo Banco”, ressalva o Ministério das Finanças.

O Governo não está sozinho: “Na sequência das preocupações expressas pelo Governo, o Fundo de Resolução informou hoje o Ministério das Finanças que partilha do mesmo entendimento, tendo já comunicado ao Novo Banco que este não deve realizar tais operações até à conclusão do processo de auditoria”.

Estas operações já vieram fazer com que a Lone Star se pronunciasse para recusar que esteja no lado dos compradores dos ativos problemáticos, como diz ter sido insinuado esta semana, depois de uma notícia do “Público a dar conta da opacidade em torno da aquisição de imóveis em 2018 pela Anchorage.

A auditoria foi pedida na sequência da lei, que obriga a que sempre que entrem dinheiros públicos num banco se faça uma auditoria, a que se juntou o Governo.