Economia

Portugal com recorde no investimento estrangeiro em 2019 mas covid-19 pode colocar em risco 20% dos projetos

20 julho 2020 8:00

No ano passado o número de projetos anunciados atingiu os 158, "valor recorde que representa uma aceleração de 114% face aos 74 projetos registados em 2018"

20 julho 2020 8:00

Portugal bateu o recorde de Investimento Direto Estrangeiro (IDE) em 2019, com 158 projetos, mas a pandemia de covid-19 poderá pôr em risco 20% deles, considera o estudo hoje divulgado da EY Portugal.

Na edição do estudo EY Attractiveness Survey Portugal 2020, que anualmente avalia a perceção dos investidores estrangeiros relativamente à atratividade do país enquanto destino de IDE, refere-se que 2019 "assume-se como um marco histórico para Portugal no que ao Investimento Direto Estrangeiro diz respeito".

No ano passado o número de projetos anunciados atingiu os 158, "valor recorde que representa uma aceleração de 114% face aos 74 projetos registados em 2018".

Estes 158 projetos de IDE representam 12.549 postos de trabalho, "número que mais do que duplicou em relação ao ano anterior (6.100)", adianta o relatório.

"Num ano marcado pela incerteza e pela escalada de tensão nas trocas comerciais mundiais, Portugal conseguiu diversificar a origem do IDE e atrair geografias altamente qualificadas", acrescenta o estudo, apontando que "o número de projetos de IDE provenientes de outros países europeus subiu de 59 para 108, mas a proporção do investimento europeu caiu de 80% para 68%, uma vez que a economia nacional conseguiu atrair o triplo do número de projetos com origem em geografias não europeias (de 15 para 50 projetos)".

Por exemplo, os Estados Unidos "tornaram-se, em 2019, no maior investidor em território português, com 26 projetos anunciados", refere o relatório, acrescentando que a Alemanha (22) e França (21) "ocupam as posições seguintes no pódio dos maiores investidores".

O Reino Unido mais do que duplicou o número de projetos de investimento em Portugal, de seis, em 2018, para 15, no ano passado.

A área do digital quase triplicou (de 15 para 42) os projetos, "aumentando significativamente o número de empregos criados (de 1.610 para 3.766)".

O setor da fabricação e fornecimento de equipamento de transporte "também cimentou o investimento estrangeiro (31 projetos e 4.148 postos de trabalho), com os serviços empresariais a ultrapassarem o setor agroalimentar e passando a ocupar a terceira posição no ranking dos setores de atividade que mais projetos de IDE atraíram em 2019", lê-se no documento.

Estes três setores "representam mais de metade dos projetos anunciados (59%) e 73% dos empregos criados".

Por regiões, Lisboa foi a que mais atraiu IDE em 2019, "num total de 62 projetos (32 na edição anterior), que proporcionaram 4.090 novos postos de trabalho, sobretudo nos setores do digital e dos serviços empresariais".

O Norte do país captou 51 projetos, a que corresponde à criação de 5.722 novos postos de trabalho, principalmente nas áreas de fabricação e fornecimento de equipamento de transporte e digital.

Em terceiro lugar ficou a região Centro, que atraiu 26 projetos, responsáveis por 1.518 empregos.

"O Alentejo foi a única área geográfica a registar um decréscimo nas intenções de investimento, passando de 21 projetos de IDE anunciados em 2018 para nove, no ano seguinte", adianta.

"Em 2019, Portugal passou para a 11.ª posição, entre as economias europeias, em termos de atratividade de IDE, subindo seis posições relativamente ao 'ranking' do ano anterior e alcançando um fatia de 2,5% do total do investimento estrangeiro anunciado para a Europa", refere o relatório, destacando tratar-se de uma "performance muito positiva".

No entanto, "deverá ser afetada pelos efeitos da covid-19".

Por toda a Europa, "já se sente o impacto imediato da pandemia nos projetos de IDE -- apesar de em menor grau do que o esperado para os novos projetos planeados para 2020".

"De acordo com uma ronda que a consultora EY fez por várias agências responsáveis pela promoção do investimento externo, dos 6.142 projetos de IDE anunciados nas diversas economias europeias, no ano passado, 35% estão em risco de serem adiados, fortemente ajustados ou até cancelados", refere.

Em Portugal, acrescenta, o impacto esperado deverá ser menos severo, com 20% dos 158 projetos anunciados potencialmente em risco.

"Naturalmente, Portugal não está imune às ondas de choque provocadas pela pandemia de covid-19, um acontecimento que vem perturbar, sem precedentes, a vida das pessoas e da atividade económica, que está altamente dependente de setores que estão a ser fortemente afetados pela crise, nomeadamente o turismo e lazer, ou a aviação", diz Miguel Farinha, partner da EY Portugal e responsável pela área de Strategy and Transactions, citado em comunicado.

"Neste contexto, o IDE será certamente impactado. Todavia, a nossa análise mostra que o IDE em Portugal poderá ser mais resiliente no curto prazo do que na maioria das economias congéneres europeias, devido ao perfil dos projetos que o país tem conseguido atrair", prossegue.

Tratando-se de uma economia orientada para os serviços, em que uma larga fatia dos projetos de IDE se destina a atividades ligadas ao desenvolvimento de 'software', investigação & desenvolvimento ou à criação de centros de serviços partilhados, é expectável que o impacto a curto-prazo seja menos severo", nota o responsável.