Economia

Apenas 3,8% das startups portuguesas fecharam portas devido à covid-19

30 junho 2020 13:16

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Quase três em cada dez sentem um impacto negativo na situação laboral da empresa, conclui estudo da Startup Portugal. Mas 71,8% continuam a laborar normalmente e 40% antecipam uma tendência de expansão nos próximos tempos

30 junho 2020 13:16

Apenas 3,8% das startups portuguesas foram forçadas a encerrar a sua atividade na sequência da crise de covid-19 que afeta o país e o mundo, com as áreas da saúde e das viagens a registarem uma maior tendência para o encerramento. Os principais motivos relacionam-se com a diminuição do volume de vendas e com o adiamento ou atraso de projetos.

Neste contexto, três em cada dez sentem um impacto negativo na situação laboral da empresa – e, destas, 19,8% estão com a atividade temporariamente suspensa e 4,6% prestes a suspendê-la. Já 71,8% das startups nacionais continuam a laborar normalmente, especialmente as que operam na área de “software empresarial”, seguida pelas áreas da “saúde” e “transportes”.

A conclusão é do estudo preliminar “Impacto da Covid-19 no Ecossistema de Startups Nacional”, coordenado pela Startup Portugal em parceria com a Ernst & Young e a SAP, que que questionou mais de 200 fundadores e executivos de startups com sede em Portugal entre 27 de maio e 8 de junho.

“Dado que a maioria das startups inquiridas se encontra no estágio de seed [semente] (81%), com cerca de 1 a 10 trabalhadores (80%) é possível que o impacto tenha sido menor dada a dimensão da empresa e estado inicial dos projetos”, lê-se no relatório divulgado esta terça-feira. “A transição para o digital e para o trabalho remoto pode ter sido mais facilmente adotada por estas startups com uma estrutura mais flexível.”

Apesar disso, a maioria das startups (57%) confirma que a covid-19 teve um impacto muito grande no seu negócio. O maior impacto é sentido ao nível das vendas, com 35,5% a sentirem uma quebra, mas também ao nível do adiamento ou atraso de projetos (33,9%) ou do adiamento de investimentos (17,7%). Apenas 4,8% referem a impossibilidade de continuar a operação por encerramento obrigatório e 3,2% dificuldades na obtenção de matéria-prima.

“Com a questão do isolamento obrigatório e medidas de distanciamento social, os consumidores alteraram os seus comportamentos e passaram a priorizar o consumo de bens necessários em detrimento de outros produtos (ex.: vestuário)”, explica o estudo. “A questão da diminuição das vendas está relacionada com a alteração do sentimento do consumidor.”

Ainda assim, apenas 33,1% das startups beneficiaram até à data de alguma das medidas de apoio ao ecossistema anunciadas pelo Governo de António Costa. De acordo com os inquiridos, as medidas de apoio mais úteis neste momento seriam incentivos e isenções fiscais e a oferta de novos apoios financeiros.

A verdade é que para 30% das startups o impacto no negócio ainda não foi considerável e 5,6% garantem não ter sofrido qualquer impacto. Muitas (42,3%) destacam até o aparecimento de novas oportunidades de negócio durante a pandemia, uma proporção em linha com aquelas que revelam otimismo em relação ao futuro (45%).

Aliás, quatro em cada dez startups portuguesas antecipam uma tendência de expansão nos próximos tempos – à exceção do sector da moda, recrutamento, kids, jurídico e robótica. “Recorde-se que mais de metade das empresas da Fortune 500 iniciaram a sua atividade durante a contração e mais de cinquenta unicórnios foram criados durante a Grande Recessão (2007-2009)”, conclui o relatório.