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EDP Renováveis pede 60 milhões ao BEI para dois novos parques eólicos em Portugal

17.06.2020 às 18h40

Manso Neto lidera a EDP Renováveis

Jose Carlos Carvalho

Empresa volta a recorrer ao Banco Europeu de Investimento, agora para financiar dois projetos em Cantanhede e na Guarda cujo investimento total ascenderá a 139 milhões de euros

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A EDP Renováveis solicitou ao Banco Europeu de Investimento (BEI) um financiamento de 60 milhões de euros para concretizar um investimento de 139 milhões de euros em dois novos parques eólicos em Portugal.

O pedido deu entrada no BEI no início deste mês e está ainda em avaliação. A empresa refere que se trata de dois novos parques nas regiões do Norte e do Litoral e com uma capacidade conjunta de 125 megawatts (MW), tendo os projetos sido já objeto de aprovação ambiental condicionada.

A empresa não revela mais pormenores sobre estes investimentos, mas tudo indica que sejam projetos da carteira adquirida ao consórcio Ventinveste (vencedor da Fase B do concurso eólico do Governo Sócrates), que acabou por não construir os 400 MW a que tinha direito.

Entre os projetos eólicos que passaram pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), os últimos empreendimentos para construção de raiz (ou seja, excluindo os projetos de reforço de potência de parques já existentes) são os parques eólicos de Morgavel, da Tocha e do Sincelo. O primeiro será instalado em Sines e pertence à empresa irlandesa Island Renewable Energy. Mas os outros dois pertencem à EDP Renováveis.

O parque eólico da Tocha é um parque de nove aerogeradores, com uma capacidade total de 32,4 MW, a instalar em Cantanhede, a cerca de um quilómetro do mar. O parque eólico do Sincelo terá um total de 93,6 MW, distribuídos por 26 torres eólicas nos concelhos da Guarda e de Pinhel.

Estes novos projetos fazem parte dos últimos parques que falta construir entre a capacidade que foi autorizada nos concursos eólicos do Governo Sócrates, entre 2006 e 2008. Nesses concursos o consórcio Eneop - Eólicas de Portugal (EDP, Endesa e Generg) ganhou a fase A, assegurando o maior lote, com um total de 1200 MW. O consórcio Ventinveste (Galp e Martifer) conquistou a fase B, ganhando o direito a instalar até 400 MW eólicos. A fase C distribuiu ainda outros 200 MW por vários operadores (um dos projetos é o que agora a Island Renewable Energy vai construir em Sines).

Esses concursos atribuíram os direitos a construir os parques beneficiando de uma tarifa garantida de venda de energia ao longo de 15 anos. As tarifas, correspondentes aos preços mais baixos oferecidos por cada consórcio participante nas várias fases, rondam os 70 euros por megawatt hora (MWh). É um preço que embora esteja substancialmente acima do atual preço grossista no mercado ibérico de eletricidade (Mibel) está abaixo da remuneração média das eólicas já em operação em Portugal (acima dos 90 euros por MWh).

O financiamento que agora a EDP Renováveis solicita ao BEI vem somar-se a outros pedidos de financiamento da empresa à mesma instituição, que já financiou outros parques eólicos da EDP Renováveis em Portugal, incluindo o primeiro parque offshore atualmente em construção ao largo de Viana do Castelo e com uma capacidade de 25 MW.