Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Banco de Portugal mais pessimista: PIB pode cair 9,5% a 13,1% em 2020

16.06.2020 às 14h10

Novas projeções apontam para uma taxa de desemprego superior a 10%. Balança comercial de bens e serviços volta a ser deficitária em 2020, o que não acontecia desde 2011

Joana Nunes Mateus

Em 2020, “a economia portuguesa deverá contrair-se de forma muito acentuada, num contexto de reduções do PIB mundial e do comércio internacional apenas comparáveis às registadas na Grande Depressão de 1929”, lê-se no boletim económico de junho divulgado esta terça-feira pelo Banco de Portugal.

As novas projeções apontam para uma diminuição do produto interno bruto (PIB) de 9,5% em 2020, refletindo um impacto negativo muito acentuado da pandemia durante o primeiro semestre.

Mas o Banco de Portugal também apresenta um cenário mais severo para 2020, caso ocorra uma segunda vaga de infeções a nível global. Neste caso, a economia portuguesa pode mesmo cair 13,1%, praticamente o dobro da quebra do PIB de 6,9% que alicerça todos os números do Orçamento Suplementar agora em discussão na Assembleia da República.

Desemprego nos dois dígitos

Mesmo sem segunda vaga, certo é que o Banco de Portugal aponta para uma queda expressiva do emprego em 2020, de 4,5%, e para um aumento significativo da taxa de desemprego, para 10,1%.

Num quadro de relativo controlo da epidemia e de progressivo levantamento das medidas de contenção adotadas para lhe fazer face, perspetiva-se que a atividade económica comece a recuperar a partir do terceiro trimestre de 2020.

Ainda assim, o consumo privado deverá cair 8,9% em 2020, com a taxa de poupança a aumentar substancialmente, refletindo a dificuldade de consumir alguns bens e serviços durante o estado de emergência e a elevada incerteza prevalecente.

Já o consumo público deverá aumentar 0,6% em 2020, em resultado do efeito conjugado de uma maior despesa em saúde pública no contexto da crise pandémica e da diminuição da atividade das administrações públicas, relacionada com uma redução do número de horas trabalhadas.

O investimento na formação bruta de capital fixo (FBCF) deverá reduzir-se 11,1% em 2020, refletindo a queda acentuada da componente empresarial. E as exportações de bens e serviços deverão afundar 25,3% em 2020, refletindo, sobretudo, uma descida muito acentuada das exportações de serviços associados ao turismo. Já as importações de bens e serviços cairão 22,4%.

A balança de bens e serviços deverá ser mesmo deficitária em 2020, o que acontece pela primeira vez desde 2011, refletindo uma redução do excedente da balança de serviços, associada sobretudo à queda das exportações de turismo.