Economia

Covid-19 provoca quebra de 2,4% na economia portuguesa. A maior em sete anos

15 maio 2020 9:31

horacio villalobos/getty images

O PIB português recuou menos do que a zona euro no primeiro trimestre deste ano em relação a igual período do ano passado, segundo a primeira estimativa publicada esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística. Mas, em relação aos três meses anteriores, quebrou 3,9%, mais do que a média do espaço da moeda única

15 maio 2020 9:31

A economia portuguesa recuou 2,4% no primeiro trimestre de 2020 em relação a igual período do ano passado, segundo a primeira estimativa publicada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Esta quebra do Produto Interno Bruto (PIB) é inferior à da zona euro, onde a contração foi de 3,3%, de acordo com a estimativa rápida, feita no final de abril, pelo Eurostat. Na nova estimativa avançada esta sexta-feira, o organismo de estatística da União reviu ligeiramente em baixa a quebra da zona euro para 3,2%.

Esta contração é a maior desde o primeiro trimestre de 2013. Recorde-se que a economia portuguesa registou contrações trimestrais do PIB desde o último trimestre de 2008 (o ano da crise financeira global) até ao final de 2009 (o ano de recessão económica mundial) e, depois, sofreu uma recaída. O PIB voltou a cair ao longo de 2011 e 2012 até ao terceiro trimestre de 2013, em virtude da crise das dívidas dos periféricos na zona euro.

Em termos comparativos, a economia portuguesa caiu nos três primeiros meses do ano tanto como a austríaca e um pouco abaixo da belga (-2,8%) e muito menos do que a eslovaca (-4,1%), a espanhola (-4,1), a italiana (-4,8%) e a francesa (-5,4%), de acordo com dados disponibilizados, esta sexta-feira, pelo Eurostat. Mas quebrou muito mais do que a economia alemã (-1.9%) ou a holandesa (-0,7%). No entanto, oito economias da União registaram crescimento no primeiro trimestre, com destaque para a Roménia (2,7%), Lituânia (2.5%), Bulgária (2,4%) e Hungria /2%).

Queda em cadeia foi mais profunda do que na crise anterior

A variação negativa em cadeia, ou seja, em relação aos três meses anteriores, foi maior, de 3,9%, uma contração que fica ligeiramente acima da da média do espaço da moeda única (queda de 3,8%).

Esta queda em cadeia de 3,9% no PIB foi muito mais profunda do que as registadas em diversos trimestres de 2008 a 2013.

Ao contrário da Alemanha, França e Itália, que já entraram em recessão técnica nos três primeiros meses do ano, a economia portuguesa registou esta quebra de 3,9%, depois de uma subida de 0,7% entre outubro e dezembro do ano passado.

Uma recessão técnica é considerada quando o PIB cai em dois trimestres consecutivos em cadeia.

Segundo o INE, a contração no primeiro trimestre deveu-se sobretudo ao impacto da pandemia do Covid-19 "que já se fez sentir significativamente no último mês do trimestre [março de 2020]".

Quebra fortíssima nas exportações

"O contributo da procura externa líquida para a variação homóloga do PIB foi negativo no primeiro trimestre (-1,4 pontos percentuais), após ter sido positivo no trimestre anterior, traduzindo a diminuição mais intensa das Exportações de Bens e Serviços que a observada nas Importações de Bens e Serviços. A procura interna registou um contributo negativo (-1,0 pontos percentuais), pela primeira vez desde o terceiro trimestre de 2013, associada à diminuição do consumo privado e do Investimento", refere o INE.

As exportações caíram 5,1% em termos homólogos e afundaram-se 7,3% em cadeia, incomparavelmente mais do que as importações (quedas de 1,8% e 2,9% respetivamente) e do que a procura interna (quebras de 1% e 1,9% respetivamente).

Uma nova estimativa pelo INE será publicada a 29 de maio no quadro das contas nacionais trimestrais do primeiro trimestre de 2020.

Recorde-se que o governo não avançou no Programa de Estabilidade e Crescimento 2020-2024 com previsões para a contração do PIB em 2020. A Comissão Europeia, nas previsões de primavera publicadas este mês, aponta para uma quebra da economia portuguesa em 2020 de 6,8%, abaixo da média da zona euro. O Fundo Monetário Internacional, em abril, foi mais pessimista avançando com a previsão de uma quebra de 8%.