Prejuízos da Revolut duplicam em 2018
01.10.2019 às 13h36
Os fundadores da Revolut, Vlad Yatsenko e Nik Storonsky
D.R.
Banco digital justifica perdas com “investimento continuado e expansão para novos mercados”. Receitas aumentam 354% para 58,2 milhões de libras e devem triplicar em 2019
A startup de serviços financeiros Revolut teve no ano passado prejuízos de 32,8 milhões de libras (37 milhões de euros), mais do dobro das perdas registadas no ano anterior.
A plataforma financeira sediada em Londres — que disponibiliza transferências e pagamentos com comissões nulas ou reduzidas e ferramentas de gestão de despesas, controlo de orçamentos, troca de criptomoedas e negociação de ações, entre outras — justifica o resultado líquido negativo com “o investimento continuado e expansão para novos mercados”.
Os custos diretos aumentaram 247% à boleia da emissão de cartões, encargos associados a parceiros e custos de aquisição de clientes. “Ainda assim, os resultados mostram uma melhoria na margem de lucros brutos para o negócio, na medida em que o crescimento da receita excedeu o aumento dos custos”, aponta a Revolut em comunicado.
As receitas registaram um crescimento significativo - de 354% - face a 2017. Ou seja, o volume de negócios da empresa aumentou de 12,8 milhões de libras (14,4 milhões de euros) em 2017 para 58,2 milhões de libras (65,5 milhões de euros) no ano passado.
“O final do ano de 2018 parece que já foi há imenso tempo, mas estes números são muito importantes porque revelam o nosso crescimento sustentado enquanto negócio”, afirma o presidente executivo e fundador da Revolut, Nikolay Storonsky. “O salto que demos em receita e número de clientes, desde o início de 2019, é sintomático dos motivos pelos quais criámos este negócio, e a prova de que continua a justificar-se.”
Triplicar receitas em 2019
As expetativas da fintech passam por triplicar as receitas em 2019, tendo em conta o crescimento do número de clientes, o lançamento de novos produtos, a otimização dos existentes e a expansão para novos mercados. Ainda esta segunda-feira a Revolut anunciou um novo acordo com a Visa que a ajudará a alargar a sua presença a cinco novas regiões e 23 mercados.
Atualmente, a Revolut já tem mais de sete milhões de clientes na Europa e uma média de 3,7 milhões de utilizadores mensais ativos, tendo transacionado desde o seu lançamento mais de 85 mil milhões de dólares.
Criada em 2015 por Nik Storonsky e Vlad Yatsenko como uma alternativa digital aos bancos tradicionais, a Revolut tem registado um rápido crescimento - sendo já membro do restrito clube dos unicórnios (empresas avaliadas em mais de mil milhões de dólares).
Mas esse crescimento rápido não se fez sem contratempos, como notaram algumas notícias que surgiram no início deste ano e denunciaram uma cultura de grande pressão sobre os trabalhadores, metas inalcançáveis e longas jornadas de trabalho. Erros com os quais a empresa garante já ter aprendido, como revelou recentemente ao Expresso o diretor-geral da Revolut para Portugal.
“Aprendemos com o que correu mal, queremos melhorar. O equilíbrio entre vida pessoal e profissional é crucial”, reconheceu Ricardo Macieira. “Estamos a contratar equipas seniores focadas em garantir o bem-estar dos trabalhadores.”
Com sede em Londres, a Revolut tem atualmente 15 escritórios fora do Reino Unido e mais de 1.400 empregados. Recentemente, anunciou que vai reforçar o investimento em Portugal, onde vai criar um centro de suporte ao cliente em Matosinhos - tal como em Berlim (centro tecnológico) e Cracóvia (escritório)