Economia

BCE está mais pessimista. Reviu em baixa crescimento e inflação na zona euro

12 setembro 2019 15:19

ralph orlowski/getty images

As projeções macroeconómicas apresentadas esta quinta-feira pelo Banco Central Europeu apontam para um abrandamento maior no crescimento da economia da zona euro em 2019 e para uma aceleração mais fraca nos dois anos seguintes do que a prevista em junho. Inflação fica por 1,5% em 2021, ainda muito abaixo da meta de 2%. A boa notícia é que a Euribor a 3 meses vai cair ainda mais, com uma previsão de -0,6% em 2021

12 setembro 2019 15:19

O Banco Central Europeu (BCE) está mais pessimista sobre a economia da zona euro do que estava quando reuniu em junho e realizou o Fórum de Sintra, onde Mario Draghi prometeu que iria agir "dentro de semanas".

Esse pessimismo, a par dos riscos geopolíticos associados ao protecionismo e às vulnerabilidades das economias emergente, levou a equipa de Draghi, por larga maioria, a aprovar o pacote substancial de estímulos anunciado esta quinta-feira.

Nas novas previsões económicas publicadas agora, o BCE reviu em baixa os números do crescimento e da inflação para este ano e para os dois próximos anos.

A inflação vai continuar a ficar muito longe da proximidade ao objetivo de 2%. Os técnicos do banco central apontam, agora, para 1,2% em 2019 (em vez de 1,3% na previsão de junho), com uma redução para 1% em 2020 (uma revisão significativa em relação a 1,4%), e uma subida para 1,5% em 2021 (anteriormente uma previsão de 1,6%). De sublinhar que, depois de uma descida de 1,8% em 2018 para 1,2% em 2019, a trajetória descendente continua em 2020 até ao limiar de 1%.

Draghi frisou, ainda, na conferência de imprensa que deu esta quinta-feira, que as expetativas de médio prazo para a inflação "ancoraram" num patamar muito baixo, entre 1% e 1,5%.

Também o crescimento não está a responder. Ainda que o BCE considere que a probabilidade de uma recessão é "pequena, ela está a subir" (nas palavras de Draghi). Mas o horizonte não é de contração no conjunto da zona euro, mas de uma fraca aceleração, depois da quebra de dinâmica entre 2018 e 2019, com o BCE a prever que o crescimento desça para de 1,9% no ano passado para 1,1% este ano (revendo em baixa de 1,2%). A aceleração vai ser modesta em 2020, com um crescimento de 1,2% (revisto em baixa de 1,4% na previsão de junho). Para 2021, o BCE aponta para 1,4%, longe ainda de 1,9% registado em 2018.

Euribor a 3 meses em -0,6% em 2020 e 2021

Esta inflação persistentemente baixa, impeliu a maioria da equipa de Draghi para a ação, como ele prometera em Sintra. O regresso do programa de compra de ativos (e nomeadamente de dívida pública) e o agravamento das taxas negativas sobre uma parte dos depósitos dos bancos nos cofres do BCE vai provocar uma descida ainda maior na taxa Euribor a 3 meses (que serve de referência aos empréstimos bancários).

As previsões do BCE apontam, nos seus pressupostos, para uma taxa de -0,4% em média ao longo do ano em curso (está em -0,43%), e uma descida para -0,6% em 2020 e 2021.