Juros da dívida a 10 anos em novo mínimo histórico, depois de subida do rating pela S&P
18.03.2019 às 9h40
Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos desceram esta segunda-feira para 1,286% no mercado secundário da dívida, um valor já abaixo da taxa de 1,298% paga no leilão de 13 de março, então o nível mais baixo de sempre. Esta queda regista-se depois da agência Standard & Poor's ter aumentado na sexta-feira a notação portuguesa para BBB
Os juros (yields) da dívida a 10 anos desceram esta segunda-feira abaixo de 1,29%, a taxa mais baixa de sempre registada nos mercados primário (de emissão das obrigações) e secundário (onde os títulos são transacionados depois de emitidos). Estão já abaixo da taxa de 1,298% paga pelo Tesouro a 13 de março no leilão de Obrigações do Tesouro a vencer em 2029, então o juro mais baixo de sempre registado nos dois mercados.
Esta nova descida dos juros para níveis jamais registados ocorre depois da agência Standard & Poor's (S&P) ter decidido, na sexta-feira, subir o rating da dívida portuguesa de longo prazo de BBB- para BBB, já dois níveis acima da linha vermelha de títulos considerados especulativos, vulgo 'lixo financeiro'.
A S&P justificou a decisão com a melhoria das contas públicas, a subida da maturidade média da dívida pública e a convergência com a zona euro nas condições de crédito. "Do nosso ponto de vista, o objetivo do governo em obter um excedente orçamental em 2020 é credível, e baseado em pressupostos de crescimento conservadores", referia o comunicado da agência, que acrescentava que "antecipa que o governo conseguirá continuar a obter excedentes orçamentais primários (sem incluir os juros da dívida) de pelo menos 3% do PIB, garantindo uma descida no rácio da dívida em relação ao PIB no horizonte de 2019 a 2022".
Com esta subida, as Obrigações do Tesouro português passam a ter uma avaliação idêntica em três das quatro principais agências internacionais: S&P, Fitch e a canadiana DBRS, que é igualmente seguida pelo Banco Central Europeu para efeito de definição dos títulos que são elegíveis nas operações de política monetária. Apenas a Moody’s mantém a notação em Baa3 (que equivale a BBB-), não tendo publicado nenhum comunicado alterando a sua avaliação, em 15 de fevereiro.
O Tesouro regressa esta semana, na quarta-feira, ao mercado da dívida para colocar entre 1250 a 1500 milhões de euros em dívida de curto prazo, em Bilhetes de Tesouro a 6 e 12 meses, onde deverá pagar taxas negativas. No mercado secundário estes títulos registam yields de -0,377 e -0,330 respetivamente.