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Empresas estão mais pessimistas a nível global mas rejeitam recessão “iminente”

A confiança das empresas a nível global caiu para os valores mais baixos desde 2016, revela um estudo da gestora de ativos Fidelity feito junto dos seus analistas

Pedro Lima

Pedro Lima

Editor-adjunto

A confiança das empresas a nível global caiu para o valor mais baixo desde 2016, o que reflete a redução do consumo e o aumento dos custos, de acordo com uma análise da Fidelity International. Esta gestora de ativos norte-americana mede anualmente o pulso do mercado empresarial através de um inquérito feito junto dos seus analistas.

A queda no ‘sentimento’ empresarial é a maior desde a criação deste estudo (2014) – o indicador de confiança desceu dos 1,6 pontos de 2018 para 0,6 pontos.

A análise revela, no entanto, que as empresas não acreditam que esteja iminente uma recessão, apesar de apontarem fatores de risco como a situação económica da China ou as políticas seguidas pelo presidente do EUA, Donald Trump.

O sector da saúde é o único a manter algum otimismo, refere ainda a Fidelity.

Este estudo reflete as conclusões retiradas de cerca de 16 mil reuniões individuais de analistas da Fidelity com empresas.

Um terço dos analistas da Fidelity dizem que os sectores que acompanham estão em ‘abrandamento’ ou ‘recessão’, o que compara com os 13% do ano anterior. Apenas um quinto fala em ‘expansão’, contra os 35% de 2018.

Michael Sayers, diretor do departamento de análise da Fidelity International refere, num comunicado divulgado pela empresa, que “um início de 2018 exuberante deu lugar a um 2019 prudente. O pessimismo deste ano justifica-se com o enfraquecimento do consumo e os custos crescentes dos negócios; ambos ameaçam reduzir as margens de lucro em 2019”. O mesmo responsável refere que embora não se anteveja uma recessão global “nos próximos seis a 12 meses”, tornou-se evidente que estamos a avançar no sentido do “fim do ciclo que começou há uma década”.

Os analistas da Fidelity que acompanham a China são os mais “negativos”, atendendo ao abrandamento económico do país e à escalada da guerra comercial com os EUA. Ao mesmo tempo, as preocupações em torno da Administração norte-americana estão a crescer pelo que as políticas do presidente Donald Trump sobre as empresas deverão agora ter um impacto negativo. 45% dos analistas da Fidelity dizem que as políticas de Trump para os sectores que acompanham vão prejudicar esses sectores, o que compara com 13% do ano passado.