Remuneração de presidente da Galp aumentou mais de 130 mil euros em três anos
13.03.2019 às 13h22
José Carlos Carvalho
Carlos Gomes da Silva auferiu uma remuneração, entre salário fixo e benefícios variáveis, superior a 1,75 milhões de euros no ano passado. Ao todo, a Galp pagou quase 7 milhões brutos aos administradores em 2018
O presidente executivo da Galp, Carlos Gomes da Silva, auferiu, pelo trabalho feito em 2018, uma remuneração total bruta de 1,76 milhões de euros. O montante, ainda sujeito ao pagamento de impostos, representa um crescimento de 8%, ou 134 mil euros, face a 2016, o primeiro ano em que esteve durante todo o exercício como presidente executivo da petrolífera nacional.
Foi em 2015 que Gomes da Silva subiu a CEO da Galp, mas só em 2016 é que esteve um ano todo em exercício. Aí, recebeu 1,62 milhões de euros, sendo que a parcela fixa era de 980 mil euros, a que se somavam remunerações variáveis, planos de poupança reforma e ainda outros benefícios.
A remuneração fixa atribuída a Carlos Gomes da Silva continua a ser a mesma em 2018, o ano em que termina o mandato para o qual foi eleito em 2015, mas a parcela variável aumentou, fixando o total nos 1,76 milhões de euros, de acordo com os documentos enviados à Comissão do Mercado e Valores Mobiliários (CMVM) para aprovação na assembleia-geral de 12 de abril. Em 2017, o montante bruto total tinha sido de 1,7 milhões.
Em 2016, a Galp teve lucros de 483 milhões de euros, sendo que em 2018 se situaram em 707 milhões.
Gomes da Silva continuará em funções, já que o seu nome surge na lista para a administração da petrolífera para o mandato 2019-2022, que continuará a ter Paula Amorim como presidente desse conselho, com funções não executivas.
Ao todo, a comissão executiva da Galp, que conta com sete elementos, recebeu 6,4 milhões de euros em 2018, que comparam com os 5,5 milhões de euros pagos aos executivos em 2016. Cada um dos executivos tem um salário fixo bruto de 420 mil euros, com exceção de Thore E. Kristiansen, o único administrador executivo estrangeiro, que recebe 490 mil.
A estes valores somam-se ainda os 588 milhões pagos aos membros não executivos da administração (entre estes encontra-se Paula Amorim, que nada aufere por doar integralmente a remuneração à Fundação Galp).
A empresa, que tem a Amorim Energia (que junta o grupo Amorim a Isabel dos Santos) como principal acionista, vai distribuir 26 milhões pelos trabalhadores e pela administração executiva, pelos resultados de 2018, montantes já previstos nas contas. O Estado tem 7% da companhia, através da Parpública, que vai beneficiar também dos dividendos a pagar aos acionistas no total de 524 milhões.
Gomes da Silva continuará em funções na administração para o próximo mandato, mas há mudanças no conselho fiscal e na mesa da assembleia, com as saídas de Daniel Bessa e Daniel Proença de Carvalho, que há mais de dez anos estavam naqueles cargos, segundo a proposta da Amorim Energia, a votar a 12 de abril.
(Notícia corrigida às 13:35 para retificar as variações entre as remunerações auferidas que estavam anteriormente referidas em milhões de euros, mas tratam-se de milhares de euros)