Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Portugal coloca €1250 milhões pagando juros mais baixos de sempre

O Tesouro realizou esta quarta-feira leilões das obrigações a 7 e 10 anos tendo colocado o montante máximo pretendido pagando juros de 0,763% e 1,298% respetivamente, abaixo inclusive dos juros no mercado secundário. A procura foi muito forte no prazo a 7 anos, onde Portugal pagou um juro que é quase um terço do pago por Itália esta quarta-feira

Portugal regressou esta quarta-feira de manhã ao mercado obrigacionista com dois leilões de dívida 7 e 10 anos, onde pagou aos investidores as taxas mais baixas de sempre nestes prazos, inclusive abaixo dos juros (yields) registados no mercado secundário da dívida.

O Estado colocou €1250 milhões em obrigações a vencer em 2026 e 2029, o limite máximo do montante de emissão pretendido. "Portugal emitiu dívida ao custo mais baixo de sempre, e volta a emitir dívida de longo prazo com uma taxa inferior ao custo médio da sua dívida, e a valores bastante inferiores aos leilões anteriores", sublinha Filipe Silva, diretor de Gestão de Ativos do Banco Carregosa, que acrescenta: "A tendência de baixa tem sido uma constante nos últimos meses. O IGCP e o Estado português estão a tirar partido do abrandamento económico que se refletiu novamente numa política monetária expansionista do BCE na reunião do passado dia 7 de março".

Por seu lado Filipe Garcia, presidente da consultora financeira IMF, considera que "foi mais um leilão muito bem sucedido do IGCP, que colocou sem dificuldade e às taxas mais baixas de sempre para estes prazos", ressaltado que: "O contexto de descida de juros soberanos a nível europeu é um vento muito favorável, havendo quem considere possível uma subida de rating da República por parte da S&P na próxima sexta-feira".

A 7 anos, na obrigação que vence em 2026, o Tesouro colocou €388 milhões, pagando uma taxa de 0,763%, abaixo da verificada no mercado secundário, e muito longe dos 3,95% pagos no leilão de março de 2017. A procura neste prazo foi muito forte, situando-se em 2,52 vezes o montante colocado.

Esta taxa é quase um terço mais baixa do que a paga, esta quarta-feira, pelo Tesouro italiano num leilão de dívida a 7 anos. O Estado italiano teve de pagar 2,05% no leilão a 7 anos. A 3 anos, Itália pagou 1,06%, muito mais do que Portugal pagou num prazo muito superior.

No leilão da linha de obrigações a vencer em 2029 - que foi lançada em janeiro -, o Tesouro emitiu €852 milhões, tendo pago uma taxa de 1,298%, abaixo da registada no mercado secundário, e distante de 1,568% paga no leilão de 13 de fevereiro deste ano. A taxa paga em fevereiro foi um mínimo histórico em leilões de dívida, sendo agora destronada por este novo recorde. A procura, neste prazo, foi de 1,6 vezes o colocado, abaixo de 2,17, registada no leilão anterior de fevereiro.

Com esta colocação, o Tesouro já emitiu €6250 milhões em obrigações desde início de janeiro, cobrindo 37% das necesidades de financiamento para todo ano, num montante de €16,9 mil milhões.

Recorde-se que a linha de obrigações a vencer em 2029 serve atualmente de referência a 10 anos e foi lançada em janeiro através de uma operação sindicada num montante de €4000 milhões, tendo, então, o Estado pago uma taxa de 1,978%.

  • Face aos juros mais baixos de sempre pagos pelo Tesouro português esta quarta-feira nos leilões de obrigações a 7 e 10 anos, Jason Graffam, vice-presidente da DBRS, sublinha que “os custos de financiamento baixos em Portugal são, em parte, resultado da disciplina orçamental e da melhoria significativa na estrutura da dívida pública”