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Paddy Cosgrave muda MoneyConf de Dublin para Lisboa

ANDRÉ KOSTERS / EPA

Conferência de tecnologia financeira passa a decorrer em Lisboa, sendo integrada na Web Summit. Dublin perde o evento: “a Irlanda tem a oportunidade de se tornar um local de eventos muito maiores”, mas “para o fazer necessita de um centro de congressos muito maior”, aponta o seu fundador

Ao contrário do que Paddy Cosgrave tinha dito no último evento da MoneyConf em junho, durante o qual afirmara que o evento iria permanecer em Dublin “num futuro próximo”, a conferência de tecnologia financeira (fintech) vai ser transferida para Lisboa.

O objetivo do seu criador é integrar o evento, já a partir deste ano, como um segmento da Web Summit centrado na área das fintechs - e ainda no evento Collision (em Toronto) e Rise (em Hong Kong).

A decisão é um abanão para as relações entre as autoridades irlandesas e a organização da Web Summit que, depois de um período de relações menos amistosas na sequência da transferência do evento de empreendedorismo e tecnologia para a capital portuguesa, estavam a melhorar o relacionamento. E demonstra um desinvestimento em Dublin, que tem tentado atrair as empresas de serviços financeiros num cenário de Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia), apresentando-se com um pólo de fintechs.

Ainda assim, Cosgrave garante ao jornal “The Irish Independent” que a sede da Web Summit - onde trabalham cerca de 200 pessoas - irá manter-se em Dublin.

Mas o fundador do evento de tecnologia e empreendedorismo deixa alguns alertas às autoridades irlandesas. “A Irlanda tem a oportunidade de se tornar um local de eventos muito maiores. Para o fazer, necessita de um centro de congressos muito maior. Não custará muito construir um espaço que acomode 40 mil ou 50 mil pessoas nesta cidade [Dublin].”

Recorde-se que em 2018 a organização da Web Summit fechou um contrato com o Governo português para manter o evento em Lisboa por mais dez anos, com um custo de 11 milhões de euros anuais para o Estado português. No ano passado, o evento recebeu em Lisboa quase 70 mil pessoas, mas Portugal comprometeu-se a duplicar a capacidade da FIL - Feira Internacional de Lisboa para acomodar mais.

Já a MoneyConf, que decorre durante dois dias, atraiu mais de cinco mil visitantes na última edição.