Leilão de dívida. Esperam-se os juros mais baixos de sempre
13.03.2019 às 9h01
Cristina Casalinho, presidente do IGCP
Luís Barra
O Tesouro regressa esta quarta-feira de manhã ao mercado com dois leilões de obrigações a vencerem em 2026 e 2029. No mercado secundário da dívida, estes títulos a 7 e 10 anos estão em mínimos históricos, em 0,8% e 1,3% respetivamente
Portugal regressa esta quarta-feira de manhã ao mercado obrigacionista com dois leilões de dívida a 7 e 10 anos, prevendo-se que pague as taxas mais baixas de sempre.
No mercado secundário que serve de indicação, na abertura desta quarta-feira, os juros (yields) situavam-se em 0,81% no prazo mais curto e 1,337% no prazo mais longo. Esta semana, já desceram para mínimos históricos de 0,787% e 1,308% durante as sessões de segunda e terça-feira.
A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) anunciou para esta quarta-feira leilões das Obrigações do Tesouro (OT) com vencimento em julho de 2026 e em junho de 2029, com um montante indicativo global para a colocação entre 1000 e 1250 milhões de euros.
A probabilidade do Tesouro pagar esta quarta-feira as taxas mais baixas de sempre é muito elevada. A conjuntura no mercado da dívida da zona euro é muito favorável para os estados emissores em virtude da continuação da política monetária de estímulos do Banco Central Europeu (BCE), que mantém um plano de reinvestimentos das amortizações das obrigações que detém em carteira, e que adiou até final deste ano qualquer decisão de mexida nas taxas diretoras que estão em mínimos históricos. O BCE anunciou, ainda, na reunião de 7 de março, que vai lançar a partir de setembro uma nova linha de financiamento barata para os bancos.
A linha de OT que vence em 2029, e que serve de referência no mercado, foi lançada em janeiro com o Estado a pagar então 1,978%, mas no leilão de fevereiro, a taxa baixou para 1,568%, então um mínimo histórico a 10 anos.
No caso da linha de títulos que vence em 2026, que foi lançada em 2016, o Estado tem pago taxas acima de 3%. No último leilão dessa linha, em março de 2017, o Tesouro pagou 3,95%. Se os juros no mercado secundário servirem de referência, o IGCP vai pagar uma taxa que é quase um quinto da paga há dois anos.
O Estado já se financiou em €5 mil milhões desde o início do ano, através de uma operação sindicada em janeiro de lançamento da linha que vence em 2029 e de dois leilões em fevereiro das OT a vencer em 2029 e 2034. As necessidades de financiamento para o ano são de €16,9 mil milhões.