DBRS: êxito nos leilões de dívida deve-se “à disciplina orçamental”
13.03.2019 às 11h58
Face aos juros mais baixos de sempre pagos pelo Tesouro português esta quarta-feira nos leilões de obrigações a 7 e 10 anos, Jason Graffam, vice-presidente da DBRS, sublinha que “os custos de financiamento baixos em Portugal são, em parte, resultado da disciplina orçamental e da melhoria significativa na estrutura da dívida pública”
“Os custos de financiamento baixos em Portugal são, em parte, resultado da disciplina orçamental e da melhoria significativa na estrutura da dívida pública. A posição orçamental deverá atingir o quase equilíbrio este ano e o prazo médio residual de vencimento da dívida pública é de perto de oito anos”, refere ao Expresso Jason Graffam, vice-presidente da agência de notação DBRS para a área global de ratings soberanos, comentando os resultados dos leiloes de obrigações a 7 e 10 anos realizados esta quarta-feira.
A agência canadiana, que deverá analisar o rating português a 5 de abril, sublinha ainda que espera que o Tesouro português continue a colocar regularmente dívida obrigacionista “através de vários canais e ao longo de toda a curva de juros de modo a tirar vantagem das atuais condições de financiamento com custos baixos”.
Atualmente, a DBRS atribui a notação de BBB com perspetiva estável à dívida portuguesa de longo prazo, uma classificação similar à da Fitch e acima das notações atribuídas pela S&P – que avalia o rating português na sexta-feira – e pela Moody’s. Todas as notações estão em terreno de dívida não especulativa. A DBRS foi a única agência que nunca desgraduou a dívida portuguesa para ‘lixo financeiro’, mesmo durante a crise da dívida e a intervenção da troika.
Fruto da descida do custo de financiamento – em 2018, o juro implícito da dívida emitida atingiu um mínimo histórico de 1,8% - e da redução do peso dos juros da dívida no Produto Interno Bruto (PIB) – de 4,2% em 2016 para 3,5% em 2018 -, o Estado português tem conseguido reduzir o peso da dívida no PIB, refere a agência. A DBRS acha que esse nível descerá para 118% em 2019, “mais de 10 pontos percentuais abaixo do peso em 2016”, refere Graffam. Para a melhoria do rating de Portugal, a DBRS considera fundamental uma “redução persistente do peso da dívida pública no PIB”.
Recorde-se que a dívida portuguesa deve ter ficado em 121,5% do PIB em 2019, segundo os dados mais recentes publicados pelo Banco de Portugal (BdP). Uma redução de 6,7 pontos percentuais em relação ao nível de 124,8% do PIB um ano antes. Segundo dados do BdP, a dívida pública, de acordo com o critério de Maastricht, somou €244,93 mil milhões em 2018, face a um PIB de €201,5 mil milhões.