O Vinho Verde casou com Verona. E a UE deu um dote de 3,4 milhões de euros
12.03.2019 às 10h52
D.R.
Bate recordes nas exportações desde 2000 e, em 2018, passou a vender mais lá fora do que cá dentro. Agora, o vinho verde faz um casamento internacional. “Procurámos uma noiva na Europa. Veio de Itália”, diz Manuel Pinheiro, presidente da CVRVV, sobre a nova parceria luso-italiana no mundo dos vinhos
Quem quer casar com o Vinho Verde? Foi com esta pergunta-base que a Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV) procurou a “noiva perfeita” no mercado europeu para poder candidatar-se à fatia de incentivos da União Europeia destinada especificamente a projetos de cooperação no âmbito dos produtos com Denominação de Origem Protegida (DOP).
E a região acabou por casar com Verona, considerada “uma noiva à medida” dos seus vinhos por ter três atributos principais: “tem dimensão, tem prestígio e não é um concorrente direto”, explica ao Expresso Manuel Pinheiro, presidente da CVRVV, que hoje apresenta o programa de promoção conjunta no valor de 3,5 milhões de euros desenhado por este par luso italiano do mundo dos vinhos a pensar em Portugal, mas também em destinos como a Dinamarca, França e Alemanha.
Na festa, na Casa do Vinho Verde, um chef português e um chef italiano vão harmonizar propostas gastronómicas dos dois VV, as iniciais usadas pelos Vinhos Verdes e pelos Vini Veronesi, duas regiões demarcadas europeias que já estão a trabalhar juntas no âmbito das Great Wine Capitals, uma rede internacional que junta cidades/regiões do velho e do novo mundo do vinho numa plataforma de promoção global, do Porto, presente com a Região Demarcada do Douro e com o Vinho Verde, a Bordéus (França), Adelaide (Austrália), Valparaíso (Chile), Verona (Itália), Mainz (Alemanha), Bilbao/Rioja (Espanha), São Fancisco/Napa Valley (EUA) e Lausana (Suíça), num total de 600 mil hectares de vinha e mais de 35 milhões de hectolítros de vinho.
No caso da nova parceria entre os Vinhos Verdes e Verona, com um orçamento de €3,4 milhões para três anos, financiado em 80% pela União Europeia, os anfitriões são a CVRVV e o Consorzio Associazione Vino Veronesi (AVIVE).
A olhar para os Milennials
Verona tem 15 DOP e 28 mil hectares de vinha
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Este programa destinado a ações de informação sobre o regime de qualidade dos produtos com Denominação de Origem Protegida (DOP) tem como alvo os consumidores da geração Milennials, focando a comunicação e a ativação das DOP em eventos desenhados para a promoção da singularidade, qualidade e diversidade dos vinhos em contexto educativo, mas também experiencial.
Entre os principais objetivos do projeto, contam-se “o reconhecimento dos vinhos através do selo de garantia DOP, a influência do território, dos solos, do clima e o know how local”.
Na verdade, explica Manuel Pinheiro, “esta união poderia ter sido feita com uma região produtora de, queijos ou fumeiro, por exemplo, mas acabamos por manter o foco no vinho através da escolha de Verona” que inclui 15 DOP diferentes, do Soave ao Lugana ou ao Bardolino, entre brancos, tintos e espumantes de castas autóctones como Garganega, Corvina, Corvione ou Rondinella, num total de 28 mil hectares de vinha. “É um desafio fantástico e representa um passo de gigante na afirmação mundial dos Vinhos Verdes como uma grande região vinícola”, afirma o presidente da CVRVV.
Com 16 mil hectares de vinha e uma área média de exploração próxima do hectare, o vinho verde bate recordes na exportação desde 2000, tendo fechado 2018 nos €64,4 milhões de euros, um valor que multiplica por 8 os 7,5 milhões de euros registados em 2000, representa um salto de 7,5% face a 2017 e permitiu à região assumir uma mudança histórica no seu perfil tradicional: pela primeira vez, vendeu mais no exterior do que no mercado nacional.