Lucros de mil milhões na EDP deverão voltar em 2022
12.03.2019 às 11h39
Eloy Alonso
A empresa liderada por Mexia prevê nos próximos quatro anos um crescimento médio anual de 7% do seu lucro, mas é mais cautelosa quanto à evolução dos dividendos aos acionistas
A EDP prevê voltar à fasquia dos lucros anuais de mil milhões de euros no horizonte de 2022, revela a apresentação da atualização de estratégia que o grupo está a apresentar esta terça feira em Londres.
A administração da empresa portuguesa prevê que o seu resultado líquido recorrente (ou seja, expurgado de fatores extraordinários) passe da casa dos 800 milhões de euros anuais para 900 milhões em 2020 e para mais de 1000 milhões em 2022.
A EDP prevê para os próximos quatro anos um crescimento médio anual de 7% do seu lucro recorrente, mas o único compromisso em matéria de dividendos aos acionistas é um patamar mínimo de 19 cêntimos por ação, em linha com a política atual de remuneração dos investidores.
A empresa estima ao longo dos próximos quatro anos distribuir aos acionistas entre 75% e 85% do seu lucro anual.
Na revisão da sua estratégia, que passa por uma aceleração do investimento (com um total de 12 mil milhões de euros a aplicar até 2022) e pela alienação de ativos no valor de 6 mil milhões de euros, o presidente executivo da EDP sublinhou que a empresa tem cumprido o que prometera aos investidores em 2016.
"Nós cumprimos mais do que o que prometemos em 2016, mas fomos penalizados por questões regulatórias", afirmou António Mexia aos investidores e analistas, em Londres, sublinhando que a empresa tem conseguido "cristalizar valor", com a venda de ativos, e "diminuir o risco" das suas operações, nomeadamente com o estabelecimento de cada vez mais contratos de longo prazo para a venda de energia renovável.
O plano para 2022 prevê ainda uma redução da dívida líquida da EDP dos atuais 13,5 mil milhões de euros para 11,5 mil milhões de euros.
*O Expresso viajou a Londres a convite da EDP.