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Trump engorda o défice para o máximo desde 2011

MANDEL NGAN/AFP/Getty Images

A proposta da Administração norte-americana para o orçamento para o ano fiscal de 2020 – que se inicia em outubro de 2019 – implica uma subida do défice federal para 1,1 biliões de dólares (menos de 1 bilião de euros), segundo o documento publicado esta segunda-feira pelo Office of Management and Budget, o mais elevado em nove anos

O orçamento federal dos Estados Unidos vai engordar 4,8% no ano fiscal de 2020, que se inicia a 1 de outubro de 2019, o que implica um aumento do défice federal para 1,1 biliões de dólares (€979 mil milhões), segundo o documento divulgado esta segunda-feira em Washington pelo Office of Management and Budget, o Gabinete de Gestão e do Orçamento que faz parte do Gabinete Executivo do Presidente dos Estados Unidos.

Este défice previsto por Donald Trump é o mais alto desde o ano fiscal de 2011, quando Obama avançou com um orçamento implicando um défice de 1,3 biliões de dólares (então equivalente a €935 mil milhões), ainda contendo parte da resposta à crise financeira e à recessão. O défice federal atingiu um pico de 1,5 biliões de dólares (equivalente, na altura, a €1,16 biliões) no ano fiscal de 2010, no auge da resposta à maior crise desde os anos 30 do século passado.

O aumento do défice em 2020 em relação ao ano fiscal de 2019 (que terminará no final de setembro próximo) é, contudo, marginal, apenas de 0,8%. O grande salto do défice orçamental na Administração Trump deverá ocorrer no ano fiscal de 2019 em relação ao ano anterior, com uma subida de 40%.

As bolsas de Nova Iorque abriram esta segunda-feira em terreno positivo, depois de uma semana no vermelho, em que perderam mais de 1,5%. Apesar da queda das ações da Boeing - que chegou a perder 13% na abertura de Wall Street esta segunda-feira -, devido ao segundo acidente aéreo com o 737 Max 8 no domingo, os índices no New York Stock Exchange e no Nasdaq estão com ganhos de 0,6% para o Dow Jones 30, 1,3% para o S&P 500 e 1,8% para o Nasdaq.

O homem do défice e das taxas

O aumento do défice federal em 2020, num período em que o crescimento da economia continuará acima de 3% segundo os pressupostos do orçamento, já levou o Nobel Paul Krugman a adicionar um novo cognome ao inquilino da Casa Branca – para além de ‘Tariff man’ (o homem das taxas alfandegárias, como ele próprio se autodesigna) passa a ser, também, o ‘homem do défice’.

A subida do défice não implica, contudo, que toda a despesa pública discricionária vá aumentar a partir de 1 de outubro. A opção política da Casa Branca é subir 4,7% nas despesas com a defesa e cortar 9,3% em todas outras rubricas da parte discricionária. O gasto público discricionário representa, apenas, 27% do orçamento federal que deverá somar 4,75 biliões de dólares (€4,2 biliões) no ano fiscal de 2020. Quase 80% do orçamento federal abrange a despesa pública obrigatória e os encargos da dívida pública.

Apesar da subida do défice em dólares, o rácio em relação ao Produto Interno Bruto deverá descer de 5,1% no ano fiscal de 2019 para 4,9% no ano fiscal seguinte. A proposta de orçamento prevê, nas projeções, que o défice caia para 0,6% em 2029 e que as contas públicas cheguem ao equilíbrio em 2034.