Uma auditoria que já vem tarde
09.03.2019 às 9h00
A assinatura do acordo de venda do Novo Banco à Lone Star aconteceu a 18 de outubro de 2017 no Banco de Portugal. Um negócio festejado mas que ainda dá dores de cabeça
Alberto Frias
Concessão de créditos. 17 meses depois de o Novo Banco ter sido vendido as campainhas soaram. Análise aos financiamentos feitos pelo BES visa apurar responsabilidades
A auditoria que foi anunciada pelo Ministério das Finanças aos créditos problemáticos do Novo Banco sob a alçada do Fundo de Resolução vai escrutinar de que forma as decisões de concessão desses créditos foram tomadas. Esta iniciativa articulada entre o Governo e o Fundo de Resolução foi conhecida no dia em que o Novo Banco pediu mais €1,149 mil milhões ao abrigo do mecanismo de capitalização contingente e visa apurar responsabilidades.
Isto é, caso estes créditos tenham sido concedidos de forma irregular, sem garantias ou análises de risco, entre outros cenários, quem esteve no processo de decisão? É isso que o Governo quer saber. Será “uma auditoria idêntica à que foi feita à CGD pela EY”, como disse o ministro das Finanças na quinta-feira no Parlamento. A da CGD foi feita por causa da recapitalização a que o banco público esteve sujeito (€4 mil milhões) e devido às elevadas perdas resultantes das situações de incumprimento dos maiores devedores. No caso do Novo Banco, Mário Centeno afirmou: “É preciso apurar responsabilidades, é preciso que essas responsabilidades tenham nomes, é preciso olhar para esta questão desta forma”.
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