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Seguradora que Novo Banco está a vender teve perdas de 54 milhões no ano passado

O Novo Banco foi vendido ao Lone Star em 2017 mas o fundo americano ficou com garantia sobre uma carteira de ativos de €7,9 milhões

fernandes

As contas de 2018 da GNB Vida, a seguradora do Novo Banco, foram prejudicadas pelo seu próprio processo de venda a um grupo americano

A seguradora que pertence ao Novo Banco, e que está em processo de venda aos norte-americanos da Bankers Insurance Holdings, apresentou prejuízos de quase 54 milhões de euros em 2018. Uma das justificações para os resultados é, precisamente, a alienação.

As perdas da GNB – Companhia de Seguros Vida foram de 53,6 milhões de euros em 2018, o que representa uma deterioração do resultado líquido face aos lucros de 8,7 milhões que tinham sido obtidos no ano anterior, de acordo com o relatório e contas que foi divulgado através do site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Segundo o documento, houve dois grandes motivos para os resultados da antiga BES-Vida, nome que manteve até à transformação do BES em Novo Banco. Primeiro, houve perdas registadas em fundos de investimento imobiliário no valor de 23,6 milhões de euros. Depois, os fundos imobiliários que são geridos pela companhia serão vendidos ao ainda acionista, o Novo Banco, como determina o contrato de venda à Bankers Insurance Holdings. Em causa estão fundos como Fungere, Fungepi NB ou NB Património. E isso traz perdas.

Com a alienação, há uma alteração contabilística em que são anulados ou deixam de ser reconhecidos os chamados ativos por impostos diferidos (que resultam do facto de as regras de contabilidade e as regras fiscais não serem coincidentes e de haver anos em que há um registo contabilístico que não corresponde a um efeito fiscal) – que poderiam ser usados no futuro para redução da fatura fiscal. Não havendo expetativa de utilização desses ativos, tendo em conta o plano de negócios da empresa, procedeu-se à anulação daqueles impostos diferidos no valor de 28,5 milhões de euros.

Sem esses impactos, sinaliza a companhia presidida por Paulo Vasconcelos e que emprega 54 funcionários, os resultados consolidados seriam de 1,7 milhões no ano passado. Contudo, são as perdas de 54 milhões que estão refletidas nas contas consolidadas.

A GNB Vida está em processo de venda desde 2017, sendo que, “no dia 12 de Setembro de 2018, foi assinado um contrato de compra e venda das ações da companhia, detidas pelo acionista Novo Banco, com a Bankers Insurance Holdings, cuja concretização está ainda, nesta data, sujeita à obtenção das respetivas autorizações legais”. A venda foi acordada por 190 milhões de euros.

Perdas para Novo Banco no passado

Nas contas de 2017, o Novo Banco já tinha reconhecido uma imparidade (de uma forma simples, um valor reconhecido como perdido) de 287 milhões de euros, o que, na altura, reduziu a avaliação da companhia a mais de metade.

Com referência àquele ano, a instituição presidida por António Ramalho teve de receber uma injeção de 792 milhões de euros à luz do mecanismo de capital contingente, o instrumento criado aquando da venda de 75% do seu capital à americana Lone Star. A injeção foi feita por parte do Fundo de Resolução, o acionista que mantém 25% do banco e cujo financiamento é garantido por contribuições do sistema bancário nacional (mas que tem pedido empréstimos ao Estado para conseguir cumprir as obrigações). Na altura, as perdas com a GNB Vida foram uma das razões para esta ajuda ao veículo que funciona junto do Banco de Portugal, já que era um dos ativos aí incluído.

O Novo Banco só divulgará as contas de 2018 no próximo mês de março, mas já se sabe que o Fundo de Resolução será chamado a colocar cerca de 1,1 mil milhões de euros ao abrigo deste mecanismo, segundo os cálculos atuais que ainda estão por fechar.