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Um irlandês vai substituir o economista-chefe do BCE

O Eurogrupo deu esta segunda-feira o seu apoio à candidatura de Philip Lane, o atual governador do Banco Central da Irlanda, para preencher o lugar que Peter Praet, o atual economista-chefe do Banco Central Europeu, vai deixar vago a 1 de junho

O irlandês Philip Lane, governador do Banco Central da Irlanda, recebeu esta segunda-feira o apoio do Eurogrupo (reunião dos ministros das Finanças dos membros do euro) como candidato ao lugar de Peter Praet, o atual economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), que deixa o lugar na Comissão Executiva no final de maio. Se for nomeado será o primeiro irlandês a entrar para este órgão executivo do BCE.

Lane era o único candidato na corrida a este importante lugar na Comissão Executiva do BCE e deverá receber amanhã o apoio formal do Conselho Europeu que ouvirá depois o próprio BCE e o Parlamento Europeu. A decisão final será tomada pelo Conselho na reunião de 22 e 23 de março.

O irlandês é governador do banco central em Dublin desde novembro de 2015 e esteve também na corrida para substituir Vítor Constâncio no lugar de vice-presidente do BCE a partir de 1 de junho de 2018, tendo, no entanto, a candidatura sido retirada. O ministro da Economia espanhol Luís de Guindos acabaria por ser nomeado para o lugar.

Depois desse recuo do governo irlandês, passou a ser dado como certo que Philip Lane ganharia o apoio para substituir Praet.

O irlandês, se for nomeado, terá um mandato de oito anos, e deverá vir a desempenhar o papel de economista-chefe na parte final da presidência de Mario Draghi e depois na gestão do sucessor do italiano. Ainda que a substituição de Peter Praet não implique automaticamente ocupar o cargo de economista-chefe, o irlandês é o mais qualificado, como académico com um doutoramento em Economia na Universidade de Harvard, nos EUA, e uma carreira de professor de Economia na Universidade de Columbia, também nos EUA, e no Trinity College em Dublin.

A sucessão decisiva é a de Draghi em novembro

Na reunião de junho, em que já estará presente o académico irlandês, o BCE discute a política monetária pela primeira vez depois de conhecidos os resultados das eleições de final de maio para o Parlamento Europeu. Uma discussão que terá as eventuais mudanças no xadrez político europeu e as movimentações para a própria substituição de Draghi como pano de fundo.

A Comissão Executiva é formada por seis membros, presidida atualmente por Mario Draghi, que terminará o seu mandato no final de outubro. A escolha do seu sucessor em junho será o momento decisivo nas mexidas deste ano no BCE. Os candidatos ao leme do BCE já serão apreciados no novo contexto político no Parlamento Europeu, não havendo atualmente ainda nenhuma candidatura.

Como candidatos virtuais ao lugar de Draghi estão sobretudo cinco nomes, que uma sondagem da Bloomberg atualiza regularmente. Os vinte e quatro economistas ouvidos em dezembro colocavam como principais concorrentes dois finlandeses, dois franceses e um alemão (o eterno candidato a candidato Jens Weidmann, presidente do poderoso Bundesbank, o banco central alemão). Os mais votados foram o veterano social-democrata Erkki Liikanen, até julho do ano passado governador do Banco Central da Finlândia, e o francês Francois Villeroy de Galhau, atual governador do Banco de França. Philip Lane que, também, aparecia na lista, saiu, agora, dessa corrida.