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Trabalhadores despedidos da fábrica de painéis solares de Moura pedem ajuda ao primeiro-ministro

Divulgação

Os 105 trabalhadores que ficaram sem emprego depois de a produção da MFS ser deslocalizada para a China solicitaram uma reunião a António Costa

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

Os trabalhadores despedidos da MFS, a fábrica de painéis solares de Moura que nasceu há cerca de uma década com a central fotovoltaica da Amareleja, solicitaram esta segunda-feira uma audiência com o primeiro-ministro, António Costa, para pedir a ajuda do Governo e, em particular, a nacionalização daquela unidade industrial.

Num comunicado divulgado esta segunda-feira pela plataforma Empregos para o Clima, os trabalhadores classificam como "paradoxal" a situação da MFS. "Trata-se de uma indústria solar apontada em todas as circunstâncias e planos como uma indústria de futuro, inserida numa política pública apostada na descarbonização e no combate às alterações climáticas, com um quadro de pessoal altamente especializado", realça o comunicado, notando que o encerramento da fábrica ocorre quando é assumido pelo Governo o objetivo de transformar o sector energético com recurso a mais projetos fotovoltaicos.

Paulo Lima Coelho, um dos 105 trabalhadores que foram despedidos, confirmou ao Expresso que o pedido de reunião com o primeiro-ministro foi feito hoje, no mesmo dia em que os representantes dos trabalhadores despedidos se reuniram com o presidente da Câmara Municipal de Moura, que assegurou não estar esquecido deste dossiê, estando a Câmara à procura de soluções que possam tirar as famílias afetadas do desemprego.

Paulo Lima Coelho diz que o processo de despedimento encetado pela MFS foi correto. "Não temos nada a dizer da Acciona. Estivemos parados desde setembro e a receber vencimento. E a compensação acordada no despedimento coletivo ficou acima do mínimo", comentou ao Expresso.

Segundo este ex-trabalhador da fábrica, a operação em Moura parou em setembro, quando a União Europeia eliminou as tarifas de importação de painéis solares chineses, levando imediatamente os donos da fábrica a deslocalizar para a China a produção de Moura.

De acordo com Paulo Lima Coelho, a fábrica da MFS produzia quase 600 painéis solares por dia e exportava toda a sua produção para vários mercados europeus, como a Holanda, Bélgica e Alemanha. Esta unidade não produzia nada para Portugal.