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Portugal criou 238 novas marcas de calçado desde 2010

Lucí­lia Monteiro

A indústria portuguesa de calçado está em expansão. Só no último ano surgiram 24 novas marcas 'made in Portugal'. A aposta na criação e promoção de marcas próprias é uma das prioridades da APPICAPS

A indústria portuguesa de calçado criou 238 novas marcas desde 2010, 24 das quais no ano passado, divulgou hoje a Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS) à LUSA. Mas o sector ainda tem desafios a ultrapassar. "A aposta nas marcas próprias é uma prioridade definida no Plano Estratégico FOOTure 2020", destaca a associação explicando que, "apesar do ganho de imagem conseguido pelo calçado português, a realidade do 'cluster' nesta matéria é ainda muito variada". Razão pela qual, este ano serão investidos dois milhões de euros no âmbito desta aposta nas marcas próprias, avança a associação.

Decidida a "mobilizar em favor das empresas" as competências que têm sido utilizadas para construir a imagem coletiva do setor, a associação entende que os empresários "devem ser auxiliados" no desenvolvimento de campanhas de imagem e de planos de comunicação personalizados, assim como na contratação de agências de comunicação, na participação em 'showrooms' no exterior e na melhoria da sua imagem interna, "que é determinante na relação com os compradores que as visitam".

"Em alguns casos, a criação de marcas próprias será o culminar destas ações", lê-se no FOOTure 2020. Neste contexto, a APICCAPS adianta que, desde o ano passado, mais de 60 empresas da fileira do calçado já recorreram a apoios em matéria de "Valorização da Oferta", um projeto promovido pela associação com o apoio do programa Compete 2020.

Para além do apoio à internacionalização, em especial a participação em feiras e exposições internacionais e a campanha de promoção da imagem 'Portuguese Shoes', as empresas portuguesas de calçado beneficiam, desde o início de 2015, de apoio à promoção das marcas próprias e, mais recentemente, para a realização de campanhas de 'marketing' digital.

Estes apoios estão previstos em várias áreas, desde a realização de diagnósticos estratégicos das empresas ou planos de comunicação à aposta em publicidade, contratação de assessorias de comunicação em vários mercados (Alemanha, Espanha, França, Holanda, Reino Unido, Itália e EUA) ou produção de catálogos (incluindo a conceção, edição gráfica e publicação de catálogos das coleções de empresas do setor, que poderão ser utilizados por estas na comunicação com os seus clientes, em particular como suporte à participação em feiras internacionais).

Os apoios estendem-se ainda à conceção e registo de marcas e patentes, bem como à produção e criação de conteúdos fotográficos e multimédia "considerados indispensáveis para a promoção de proximidade, quer com o público profissional, quer com os consumidores finais", refere a associação.

É o caso, por exemplo, da contratação de fotógrafos, estilistas, cabeleireiros, maquilhadores, manequins profissionais, equipas de vídeo, entre outros, capazes de criar conteúdos multimédia "de grande impacto e passíveis de utilização nos diversos suportes de comunicação utilizados pela marca".

No domínio digital, para além de apoios à realização de campanhas de 'marketing' digital, acrescem os investimentos elegíveis em matéria de criação de 'sites' ou lojas 'online'. Só este ano, adianta a APICCAPS, serão investidos dois milhões de euros no âmbito desta aposta nas marcas próprias.

Das 238 novas marcas criadas desde 2010 no setor do calçado, os dados do Gabinete de Apoio à Propriedade Industrial (uma estrutura do Centro Tenológico do Calçado de Portugal criada em parceria liderada pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, para a promoção da propriedade industrial nas empresas da fileira) apontam que a maioria (178) foram registadas como comunitárias e 60 foram registadas apenas em Portugal.