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Calçado. Europa escolhe Luís Onofre como líder

Luís Onofre lidera a lista A

Frederico Martins

Ministro Siza Vieira já deu os parabéns ao futuro presidente da Confederação Europeia da Indústria do Calçado. E apesar da quebra nas exportações mantém: "este é um sector exemplar"

Luís Onofre, presidente da APICCPAS, a associação portuguesa dos industriais do sector, vai ser o próximo presidente da Confederação Europeia da Indústria do Calçado. O anúncio foi feito pelo ministro adjunto e da economia, Pedro Siza Vieira, hoje, em Milão, à margem da Micam, onde aproveitou para saudar diretamente o empresário e designer português pela “distinção a pessoa”, sem esquecer que a sua escolha “é um reflexo da importância que a Europa atribui ao sector em Portugal”.

Quanto a Luís Onofre, garante que aceitou o novo cargo também para ajudar a indústria portuguesa a ser cada vez mais conhecida a nível internacional.

Fortunato Frederico, que presidiu a APICCPS antes de Luís Onofre, também liderou o sector na Europa entre 2001 e 2003.

O anúncio surge em cima dos últimos números das exportações do sector, com uma quebra de 2,85% ou 55,9 milhões de euros nas vendas de sapatos ao exterior em 2018, depois de um ciclo de 8 anos de recordes, mas que o ministro comenta apenas como “uma ligeira redução”.

Sapatos continuam a ser exemplares

Depois de visitar os primeiros stands da maior feira de calçado do mundo, onde Portugal tem 90 empresas e a segunda maior comitiva estrangeira, atrás de Espanha, o ministro apontou a preferência crescente dos consumidores por materiais alternativos a pele (mais baratos) como uma das causas da descida em valor (1,94 mil milhões de euros) das vendas no estrangeiro, a par de um crescimento de 0,98% do número de pares (83,8 milhões).

O preço médio por par exportado caiu quase um euro, de 23,6 para 23,7 euros, mas o Ministro que visitou a feira com o secretário de Estado da Economia, João Neves, acredita que as empresas portuguesas continuarão a evoluir com "grande capacidade de adaptação" e a fazer o trabalho de promoção no exterior para ganhar quota noutros mercados.

Assim, o calçado continua a ser apresentado como "um sector exemplar" e "interessante caso de estudo", até porque mantém a trajetória de aproximação a Espanha e fez uma recuperação relativamente a Itália, o seu grande concorrente.

Mais: na China, as exportações crescem mais de 70%, para 23 milhões de euros e Portuga já é o quarto mercado do país, a caminho de entrar no top 3, acredita a APPICAPS.

Há muitos fatores em causa, do protecionismo dos EUA ao Brexit, mas “já lidamos no passado com situações piores e soubemos ultrapassar isso. Temos confiança nos nossos empresários e estamos a apostar em novos mercados”, diz.

Mesmo assim, Onofre admite que 2019 continuará a ser um ano difícil e evita antecipar o regresso do sector aos recordes de exportação.

Mas confia no trabalho que está a ser feito pelo sector na frente da promoção internacional, com investimentos de 16 milhões de euros na frente externa este ano, mais 2 milhões dedicados ao apoio às marcas portuguesas.

Um conselho aos empresários nesta fase? “Sejam o mais resilientes possíveis. Não temos culpa. São políticas internacionais de protecionismo”, afirma.