Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

A felicidade no trabalho vale dinheiro

foto getty images

Investimento Estudos revelam que em programas de saúde e bem-estar de €1, as empresas podem ganhar €13

Conseguir sair do trabalho a tempo de ir buscar os filhos, fazer pausas para alongar o corpo, ter boas opções alimentares na cantina, são pequenas (grandes) diferenças entre acordar com vontade de ir trabalhar ou ir apenas por obrigação.

Estar bem, saudável e poder equilibrar as várias facetas da vida no emprego tem mais importância para as empresas do que parece à partida. Trabalhador feliz é trabalhador mais produtivo e há vários estudos que o comprovam. “A saúde é estruturante. É importante ter colaboradores saudáveis. As pessoas com saúde, com bem-estar, são melhores funcionários”, disse Rosa Valente de Matos, administradora hospitalar e ex-secretária de Estado da Saúde, durante o quinto programa “Que Saúde Faz Sentido”.

Reconhecendo que “não é fácil” ter no público as condições ideais, como é possível ter no privado, para proporcionar o melhor bem-estar aos funcionários, a administradora hospitalar salienta que o importante é “dar meios para que cada um possa cuidar da sua saúde”. Para dar às pessoas aquilo que elas precisam. “É importante ir ao encontro das necessidades dos trabalhadores. Se tenho colaboradores mais felizes, a empresa vai produzir mais”, salientou.

Estão as empresas preparadas?

A felicidade acaba assim por estar, diretamente, ligada ao lucro. “Um estudo recente indica que por cada euro investido em programas eficazes com impacto na vida das pessoas pode haver um retorno até 13 euros”, explica Teresa Espassandim, membro da direção da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Para a especialista, as organizações estão agora a fazer um caminho que pode ser comparável com o que começou a ser feito há 20 anos a nível da segurança no trabalho, em que “eram poucos os trabalhadores das obras que usavam capacete”.

A grande dúvida é em que ponto desse caminho se está. Se as empresas estão dispostas e preparadas a tornar os seus locais de trabalho mais amigáveis para os funcionários. “Há cada vez maior consciência da importância do bem-estar. É muito importante vermos os colaboradores como o ativo mais importante”, defendeu Filipa Costa, diretora-geral da Janssen e outra das convidadas do programa.

Existe também, cada vez mais, uma sensibilização na população, com destaque para a prevenção. Isto numa altura em que surgem cada vez mais casos de burnout, esgotamento ligado ao excesso de trabalho, e que ainda é muito estigmatizante. “É considerado como síndrome dos fracos, do trabalhador que não aguentou porque era fraco”, frisa Cristina Queirós, professora na Faculdade de Psicologia da Universidade do Porto.

Mesmo assim, há várias empresas que têm investido e inovado em melhorar o bem-estar dos empregados (ver caixa). “Por exemplo, temos um momento, a meio da manhã, em que em grupo fazemos exercícios de alongamento”, conta Filipa Costa. Já Rosa Valente Matos destaca exemplos internacionais, como salas para os trabalhadores poderem levar os filhos pequenos que se encontram doentes. Quando chegará a vez de Portugal aderir?