Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Turcos da Yilport anunciam novo investimento de 200 milhões de euros em Leixões

Rui Duarte Silva

As obras no terminal Sul estão a começar. Mas há novos projetos para o terminal Norte. Ao todo, o grupo turco quer investir 450 milhões de euros em Portugal em 5 anos

Para os turcos da Yilport, no top 3 dos maiores operadores portuários do mundo, Leixões é um dos terminais mais eficientes do grupo e tem lugar de destaque na sua estratégia na Península Ibérica. Por isso, além do investimento de 43 milhões de euros programado para o Terminal de Contentores (Sul) de Leixões, há mais 200 milhões de euros já prontos a avançar no Terminal Norte.

Esta manhã, em Leixões (Matosinhos), na apresentação do projeto de reconversão do terminal de contentores sul, Robert Yildrim deverá anunciar o novo investimento ao lado da ministra do Mar, Ana Paula Vitorino. Somando o projeto de Lisboa, estão em causa 450 milhões de investimento turco nos portos nacionais.

Em causa, na fatia dos 43 milhões de euros, está o aumento de capacidade do Terminal de Contentores, de 450 mil para mais de 600 mil TEUs (unidade de medida de referência de um contentor), numa obra que deverá ficar concluída em 2021, aliviando o atual congestionamento do porto, e que vai permitir prolongar o período da concessão por mais cinco anos, até 2035. Ao todo, a capacidade atual do porto, nesta fase, passa para 860 mil TEU/ano.

O investimento, enquadrado na "Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de Portos Comerciais do Continente - Horizonte 2026", prevê um crescimento de 73% na carga contentorizada em Leixões no prazo de uma década, é considerado pelo Ministério do Mar prioritário para dar resposta ao crescimento desta infraestrutura, a bater recordes no movimento de carga e já a trabalhar acima da capacidade oficial atual.

Virar a Norte

No novo pacote de 200 milhões de euros para o Terminal Norte estão previstas duas fases de trabalhos, com aumento de capacidade dos 150 mil TEUs para 400 mil e, depois, para um milhão de TEUs. Para isso, a marina de barcos de recreio será deslocalizada, passando a ocupar uma área protegida na foz do Porto, e será construído um novo cais, com capacidade para receber barcos de maior dimensão. O timing dos trabalhos dependerá das autorizações necessárias, mas Robert Yilport admite que quando as obras puderem avançar, tudo ficará pronto em 3 anos.

Desta forma, diz a Yilport, Leixões ganha capacidade de resposta para a crescente procura do mercado e a carga que atualmente tem de entrar e sair noutros portos como Vigo, por exemplo, passa a poder ser movimentada em Leixões, na proximidade do local onde é fabricada e produzida.

Ao todo, os planos do grupo para Portugal contemplam um investimento próximo dos 500 milhões de euros, uma vez que também já foram anunciados planos para aplicar 200 milhões de euros em Lisboa.

A aposta em Portugal integra o plano de crescimento orgânico da Yilport, que concentra a operação portuária do grupo turco Yildrim. A meta é chegar a 2025 no top 10 mundial dos operadores de terminais de contentores. Para isso, o grupo tem, ainda, de subir duas posições no ranking, o que significa “trabalhar no duro”, como disse ao Expresso o presidente da holding, Robert Yildrim. E significa investir em simultâneo noutras frentes, da Turquia à Suécia, Equador, Itália, EUA e Canadá, canalizando para estes projetos de expansão mil milhões de euros.

A operar em 9 países (Turquia, Suécia, Noruega, Malta, Espanha, Portugal, Perú, Equador e Guatemala) e a preparar a entrada na América do Norte e em Itália, já em 2019, a Yilport está no país há 3 anos, através da compra das concessões da Tertir à Mota-Engil e ao Novo Banco, tendo pago 335 milhões de euros para garantir o controlo dos portos de Leixões, Aveiro, Figueira da Foz, Lisboa e Setúbal.

A holding Yildrim, um grupo familiar fundado em 1963, a partir de uma pequena empresa de materiais de construção, tem hoje operações em 21 países, distribuídas por diferentes sectores de atividade, dos portos, ao imobiliário, energia, minas ou construção naval.

O Porto de Leixões

Terminais: 3 (Norte, Sul e Multiusos)

Área de influência: 14 milhões de habitantes

Destinos de exportação: 184 países

Capacidade total de TEUs: 650 mil

Movimento recorde em 2018: 660.832 TEUs, 19,2 milhões de toneladas, 2.551 embarcações

Crescimento entre 2001 e 2018: de 295.386 TEUs para 660.832 TEUs

Peso nos portos nacionais: 20% do comércio exterior português por mar

Peso na economia: tem ligação direta ou indireta com 7% do emprego português e 18% do emprego na região norte.

PIB: Lida direta ou indiretamente com 17% do PIB da região norte e 6% do PIB do país

Estimativa de redução da pegada ambiental do investimento de 43,7 milhões de euros: redução de emissões de 790 toneladas de CO2

Estimativa dos proveitos económicos desta tranche de investimento: 406 milhões de euros

O que vai ser feito no terminal de contentores: reforço e pavimentação dos terraplenos, com a área de parqueamento de contentores cheios a aumentar em 2,4 hectares), construção de um terminal ferro-portuário, reconversão do parque de espera de camiões para a zona de parqueamento de contentores vazios, aquisição e renovação de equipamentos de movimentação de contentores, construção e transferência de edifícios de apoio ao terminal.