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Porto Protocol. Família Coppola junta-se ao compromisso que nasceu no vinho do Porto 

Adrian Bridge conquistou a família Coppola para o Porto Protocol

Rui Duarte Silva

Este ano, vem Al Gore em vez de Obama. Entram os Coppola "com o coração" e sai a Sonae

O realizador de cinema norte-americano Francis Ford Coppola pode não estar em Portugal, na segunda edição da conferência do clima Climate Change Leadership, a decorrer de 5 a 7 de março, mas já se juntou ao movimento Porto Protocol, que nasceu no universo do Vinho do Porto para unir empresas de todas as áreas na luta contra o aquecimento global.

“Os Coppolas assumem este compromisso com o coração, como está patente nas suas vinhas e nos seus projetos pessoais”, diz a família no momento em que anuncia a adesão ao movimento que já conquistou Barack Obama, 44º presidente dos Estados Unidos e estrela da primeira edição da conferência do clima, no ano passado, assim como Al Gore, antigo vice-presidente dos Estados Unidos, prémio Nobel da Paz em 2007, e orador principal na segunda edição desta iniciativa, em março.

Ao contrário de Obama, que preferiu ficar a dormir em Madrid e esteve no Porto apenas o tempo necessário para participar na Climate Change Leadership, Al Gore ficará a dormir em Gaia, no hotel The Yeatman, do grupo The Fladegate Partnership.

Com negócios nos sectores do turismo e do vinho do Porto, este grupo é o principal organizador do evento e o impulsionador do Porto Protocol, que compromete os seus participantes a adotar e promover ações concretas para ajudar a reduzir o impacto das alterações climáticas.

“Consideramos que a indústria do vinho está excecionalmente bem posicionada para assumir um papel de liderança na mitigação das alterações climáticas, mas queremos a participação de instituições, empresas e indivíduos de todas as áreas de atividade neste movimento”, diz ao Expresso Adrian Bridge, presidente executivo do grupo que junta marcas como a Taylor´s, Kroft, Fonseca e Krohn.

Os Coppolas são um dos últimos aderentes ao movimento, que conta atualmente com cerca de 90 membros nacionais e estrangeiros, da Câmara do Porto à Toyota. E Porquê? “Francis e Eleanor (a sua mulher) sempre apoiaram fortemente a sustentabilidade, nas suas vidas e nos seus projetos (…). Por mais de 40 anos, a família Coppola procurou formas inovadoras de implementar práticas ambientais responsáveis no sector do vinho, para melhorar a eficiência, minimizar impactos e criar um ambiente acolhedor para a vida selvagem, a sua equipa, visitantes e convidados”, explica a família no seu compromisso, na página oficial do Porto Protocol.

“Em 2015, quando a Califórnia sofria os efeitos da seca mais severa das últimas décadas, Coppola pediu a todos os membros da sua equipa ideias para economizar água no trabalho e em casa. Quase de imediato, recebeu 200 sugestões, incluindo ideias da sua mulher. E a empresa vinícola está atualmente a implementar muitas dessas sugestões criativas, cada uma delas com um impacto significativo na fiolosofia de vinificação” da casa, acrescenta esta família liderada pelo realizador de filmes como “Apocalypse Now”, O Padrinho ou “The Cotton Club”.

Partilhar ideias e soluções

Na edição deste ano, dividida em três dias, para tratar de assuntos mais ligados ao vinho e de outros temas, o objetivo continua a ser “partilhar pesquisas, apresentar estratégias e soluções reais de curto e longo prazo para mitigar os impactos de um clima em mudança”, diz Adrian Bridge.

E ao lado de Al Gore, vice-presidente de Bill Clinton na década de 90, derrotado por George W. Busch na corrida presidencial em 2000, ativista na área da ecologia, há outros nomes como Afroz Shah, o indiano que liderou a maior limpeza de praias da história, em Bombaim, Marco Lambertino, diretor-geral da World Wild Fund for Nature (WWF), ou Kaj Torok, responsável de sustentabilidade da MAX Burgers, apresentada como “a primeira cadeia de restaurantes de hamburgers com pegada positiva”.

“Queremos mostrar que todos podemos contribuir no combate às alterações climáticas e o painel de oradores mostra exatamente isso, com exemplos inspiradores de pessoas que estão em diferentes níveis de intervenção na sociedade”, sublinha Adrian Bridge.

Durante os 3 dias da cimeira, são esperados 700 delegados de 50 países na Alfândega do Porto. O preço dos bilhetes, na fase de pré-venda, até duas semanas antes do evento, é de 270 euros. Depois, as entradas passam a custar 335 euros.

O que muda este ano comparativamente à primeira edição? Obama não vem e a Sonae já não está presente como patrocinadora da cimeira. A explicação oficial refere o facto do grupo já estar presente no Acordo de Paris e ter optado por concentrar aqui a sua atenção. A organização do evento garante, no entanto, que “continua a haver muita proximidade com a Sonae” e espera somar novas adesões de empresas de todo o mundo durante as próximas semanas, até ao fim dos trabalhos-da edição deste ano da Climate Change Leaderships - Solutions for The Wine Industry.