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Paulo Macedo acredita na recuperação de centenas de milhões nos créditos de risco

RODRIGO ANTUNES/Lusa

“Que ninguém tenha dúvidas: há uma atuação muito clara, e incisiva, da Caixa” na recuperação dos montantes por devolver dos grandes credores. Sobre a divulgação dos dados publicamente, o líder da CGD admite um “dano concreto”

A Caixa Geral de Depósitos poderá recuperar “algumas centenas de milhões de euros” dos grandes créditos de risco que trouxeram perdas para a instituição financeira, como relembrou a auditoria feita pela EY aos atos de gestão entre 2000 e 2015. Para tal, há um conjunto de ações em busca de recuperação: negociação, execução de colaterais, entre outros. O líder executivo do banco diz que uma coisa é certa: a instituição está a ser incisiva na recuperação.

“Que ninguém tenha dúvidas: há uma atuação muito clara, e incisiva, da Caixa” na busca dos valores emprestados aos grandes clientes e que estão por devolver, por respeito, disse Paulo Macedo, ao dinheiro dos contribuintes que foi injetado. A CGD recebeu 3,9 mil milhões de euros do Estado em 2017.

O banco pediu, anunciou o presidente executivo na comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa, uma “revisão externa” para saber que tipo de ações pode a Caixa desenvolver em busca dos créditos de risco por pagar. “Há créditos que estamos a recuperar, quando há colaterais significativos”, explicou. Noutros casos, considera-se que há uma “hipótese de recuperar uma boa parte”. Noutros exemplos, nunca especificados, nem por isso. “Quer os sócios quer as empresas declararam-se totalmente insolventes. Aí, terá de ser outro tipo de análise”, comentou.

“Estamos a falar de muitas centenas e centenas de milhões de euros [de créditos concedidos por devolver]. Algumas centenas de milhões serão recuperadas”, considerou, sem concretizar. Segundo as conclusões da EY, os 25 maiores créditos geraram perdas superiores a 1,3 mil milhões de euros.

Sem venda dos maiores créditos

Em relação aos maiores créditos que tem em carteira e que são classificados de risco na auditoria feita pela EY, Paulo Macedo revelou aos deputados que houve uma determinação: “Decidimos que os créditos ficarão connosco. Não serão os que iremos vender”. Mesmo que haja propostas por esses ativos aos preços de mercado, não haverá alienação, garantiu.

“Achamos que os casos emblemáticos devem tentar ser recuperados pela Caixa”, continuou, lembrando, também, que há credores que são divididos com outros credores (BCP e Novo Banco), aqueles que, defendeu Macedo, “financiavam as grandes empresas em Portugal”.

Um dos créditos peculiares que a CGD já vendeu foi o de Vale do Lobo, que passou para um fundo gerido pela sociedade de capital de risco ECS. O banco público é o principal titular daquele fundo de investimento.

“Dano concreto” com divulgação pública

Por várias vezes, Macedo repetiu na audição a determinação na recuperação de valores “em situações muito difíceis”, mesmo quando o banco já reconheceu “algumas imparidades”. Neste ponto, Paulo Macedo refere que a divulgação dos credores à comissão de inquérito que venha a acontecer (com a nova legislação que dá poderes específicos a este tipo de iniciativas parlamentares) traz um problema. “É um dano concreto”, classifica mesmo.

Sabendo o valor da exposição e da imparidade (dinheiro colocado de lado, por se reconhecer como perdido), o credor vai querer negociar o desembolso a partir dessa fasquia já considerada como perdida, argumentou Paulo Macedo. “Reparem o que nos faz isto em termos de concorrência. A Caixa não devia ser discriminada negativamente”, continuou o presidente executivo da entidade bancária na audição desta quinta-feira, 7 de fevereiro, na mesma data em que disse que o Estado tem, definitivamente, de definir o que quer, enquanto acionista, do banco.

Nas suas respostas, Macedo criticou também os problemas de reputação que decorrerão de uma nova comissão parlamentar de inquérito com a CGD como objeto: "A Caixa é afetada negativamente, a motivação das pessoas é afetada negativamente e o foco no negócio é afetado negativamente. Ninguém julgue que tem impactos desprezíveis".