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Europa está "mais prudente" a analisar investimentos chineses

Etienne Oliveau/Getty

Carlos Gaspar, investigador do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI), defende que os países europeus estão a reavaliar a estratégia e investimentos chineses, adotando uma "posição mais prudente" do que no passado.

O investigador do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI) Carlos Gaspar considerou hoje que os países europeus estão a reavaliar a estratégia e investimentos chineses, adotando uma "posição mais prudente" do que no passado. "Há uma reavaliação da estratégia chinesa", por parte de Portugal e dos seus parceiros europeus, destacou o analista, acrescentando que a União Europeia identificou "padrões" nos investimentos chineses que "mereceram resposta por parte das autoridades"

Deu como exemplo o caso da Alemanha, que, no ano passado, impediu as empresas chinesas de tomarem conta da rede elétrica nacional, para demonstrar que "está em curso uma posição mais prudente em relação à estratégia de investimentos chinesa do que existia no passado".
Carlos Gaspar sublinha que "esta mudança radical" ainda não é claramente visível, mas existe e está a condicionar as relações entre a Europa e a China

"Portugal e os seus parceiros [europeus], vão ter de garantir um certo número de condições de segurança estratégicas, designadamente autonomia nos domínios de tecnologia, que vão marcar uma separação em relação à República Popular da China", como está a acontecer com o 5G, reforçou. Outro sinal deste "reenquadramento das relações" é o facto de a Comissão Europeia ter decidido que devem ser criados mecanismos de avaliação dos investimentos externos em função da segurança nacional europeia e de cada país.

Salientando que Portugal, "como os outros países, tem de defender os seus interesses", o especialista do IPRI notou que a China "é um competidor" em África e que Portugal deve procurar aliados. "Na África austral, Portugal tem relações especiais com Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, tem uma grande comunidade na África do Sul, tem de procurar aliados para sustentar as suas posições e tem de ter uma posição realista", aconselhou.

Por outro lado, considerou que os países africanos "têm uma visão muito aguda do que é a sua soberania e a sua independência" e que estas são mais importantes do que o dinheiro. Para o investigador, "a China está a projetar um modelo alternativo de organização da política internacional que é a negação da ordem liberal que Portugal e os seus aliados europeus defendem", o que leva a uma nova perspetiva.

Se inicialmente, havia um grande empenho em garantir a integração do gigante asiático como um parceiro responsável na política internacional, agora o objetivo é garantir que a China respeita e se submete às regras internacionais, nomeadamente em termos comerciais e económicos.
A partir da instalação de Xi Jinping no poder (2013), "há uma nova estratégia da China, é uma estratégia de uma grande potência reconhecida como tal e a única que pode pôr em causa a preponderância dos EUA", referiu Carlos Gaspar, notando que a elite chinesa tem uma "enorme confiança" e instrumentos políticos, económicos e militares para projetar o seu poder e o seu modelo económico e social internacionalmente.