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Pedro Marques: esperar por um aeroporto em Alcochete “significava 114 milhões de passageiros perdidos”

Luís Barra

Construir um aeroporto em Alcochete demoraria pelo menos 10 anos, diz o ministro do Planeamento e das Infrastruturas está esta quarta-feira a ser ouvido no Parlamento. O cenário constituiria “um problema gigantesco de perda de passageiros e um problema político grave"

“A solução de Alcochete, para além de não ter consenso político, significava 114 milhões de passageiros perdidos se andássemos aqui dez anos para construir um novo aeroporto”, disse esta quarta-feira o ministro do Planeamento e das Infrastruturas no Parlamento.

Pedro Marques, que está a ser ouvido na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, sublinhou que a construção de um aeroporto em Alcochete era uma solução que “não pode hoje ser financiada nem com investimento público nem com taxas aeroportuárias”. Com a privatização da ANA, seria “uma ajuda de Estado”.

Em resposta às críticas de alguns deputados quanto à opção Montijo, o ministro defendeu ainda que a localização do aeroporto de Alcochete “era quase em Coruche e isso seria um hora em transportes públicos”. Esperar pela construção de um novo aeroporto em Alcochete seria esperar dez anos, lidar com “um problema gigantesco de perda de passageiros e um problema político grave e andávamos neste filme a vida toda. Não, temos de acabar com isto”, sublinhou Pedro Marques. “Não há consenso político nem margem financeira”, acrescentou.

Já em resposta à pergunta do PSD sobre a exclusão da hipótese de ser Beja o complemento a Lisboa, e também a Faro, o ministro disse que “falar no aeroporto de Beja com o complementar de Lisboa é enganar as pessoas. Na melhor das hipóteses, são duas horas de ligação a Lisboa, mesmo com ferrovia eletrificada. Não enganemos os alentejanos”, refutou.

Em defesa da solução de alargamento do aeroporto Humberto Delgado e da utilização do Montijo como complemento, o ministro do Planeamento e das Infraestruturas defendeu que a solução encontrada e o acordo celebrado há um mês entre o Governo e a ANA é uma solução que “serve as necessidades do país, é realizável, pode pagar-se com as taxas aeroportuárias e tem consenso político”. “Não temos possibilidade de hesitar. Esta solução combinada permite satisfazer toda a procura que temos identificada com capacidade sobrante, nomeadamente no Montijo”, referiu.

A propósito das críticas de vários partidos quanto à celebração do acordo sem a avaliação prévia do impacto ambiental, Pedro Marques disse que “nenhuma obra será feita sem as competentes autorizações ambientais. Porquê o acordo agora? Porque há obras que se podem realizar agora no aeroporto Humberto Delgado”. “O acordo financeiro permite que avancem obras que não avançariam de todo”, adiantou.

Questionado nomeadamente pelo Bloco de Esquerda quanto à existência ou não de um ‘plano B’ caso o parecer ambiental seja negativo, o ministro disse estar confiante de que tal não vai acontecer mas garantiu que não avançará no Montijo sem essa ‘luz verde’.