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Nova reviravolta no Banco Montepio: Carlos Tavares fica como “chairman”, Dulce Mota sobe a CEO

Carlos Tavares, presidente do banco Montepio

Marcos Borga

A solução de João Ermida para "chairman" do Banco Montepio falhou. Há agora uma mudança interna. Interina. Dulce Mota, recém-designada vice-presidente executiva, passa a CEO. Carlos Tavares fica apenas como "chairman".

Nova reviravolta no Banco Montepio. Carlos Tavares vai deixar de ser o presidente executivo do Banco Montepio, ficando apenas como presidente da administração. Um passo dado depois de o Banco de Portugal ter sinalizado que não iria aceitar João Ermida para “chairman”. Segundo noticia o Público, como líder executiva da instituição financeira fica Dulce Mota, que chegou há poucos meses ao cargo de gestora executiva. Esta é, apurou o Expresso, uma solução interina. Que pode, ou não, tornar-se definitiva.

Ponto prévio: até dia 9 de fevereiro tinha de haver uma solução no modelo de governação do Banco Montepio, onde Carlos Tavares estava a assegurar os cargos de CEO, presidente executivo, e de “chairman”, não executivo. No entanto, a supervisão exige que sejam personalidades distintas na função, já que o segundo deve acompanhar e fiscalizar o trabalho do primeiro. Há meses que se arrastava a indefinição.

Houve já uma proposta falhada, de Álvaro Nascimento (que tinha estado naquele cargo na Caixa Geral de Depósitos) e, agora, havia a possibilidade de João Ermida vir a ocupar a função de “chairman”. Só que o nome acabou por enfrentar entraves na avaliação do Banco de Portugal já que, diz o Público, não tem experiência recente na atividade bancária (a passagem pelo Santander e BPI foi na década passada), uma característica essencial para poder vir a presidir a uma instituição financeira. Não houve uma decisão formal ainda sobre este nome. Ou seja, o nome não recebeu, formalmente, nem a aprovação nem o chumbo do Banco de Portugal.

Mas não se dando a entrada de um "chairman", avançou uma solução interna. Carlos Tavares, ex-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), fica apenas como presidente da administração, deixando de ser o executivo.

Fica, assim, vago o cargo de CEO. Que fica, interinamente, nas mãos de Dulce Mota. Vinda no final do ano passado do grupo BCP, onde estava à frente do ActivoBank, a gestora estava como vice-presidente da comissão executiva. Subindo Tavares a "chairman", o CEO passa a ser a número dois: Dulce Mota.

Solução interina

Só que esta é uma solução provisória. Que pode, ou não, ser a definitiva. Na prática, está em causa uma automatismo. E terá, depois, de haver uma proposta da nova composição, com a divisão de CEO e "chairman", ao Banco de Portugal. Em que os nomes podem ser iguais. Ou diferentes. E tudo voltará a estar nas mãos do supervisor liderado por Carlos Costa.

Não foi possível, até ao momento, obter esclarecimentos nem da assessoria de imprensa da instituição financeira nem da acionista, a mutualista. Também Carlos Tavares e Dulce Mota não responderam ao contato do Expresso. Tomás Correia, presidente da mutualista, que detém o banco, remeteu para Carlos Tavares.