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Desemprego manteve-se em 6,7% no 4.º trimestre e diminuiu para 7% em 2018

2018 fecha com desemprego nos 7,0%. É preciso recuar até 2004 para encontrar um valor mais baixo

No último trimestre do ano, a taxa de desemprego manteve-se nos 6,7%. O valor mantem-se estável face ao trimestre anterior e representa uma diminuição de 1,4 pontos percentuais (p.p.) face ao trimestre homólogo de 2017, avança o Instituto Nacional de Estatística, nas Estatísticas de Emprego esta quarta-feira divulgadas. O valor corresponde à taxa mais baixa da série iniciada no 1.º trimestre de 2011. Em termos anuais, a taxa de desemprego nacional desceu para os 7,0%, tendo diminuído 1,9 p.p. relativamente a 2017, confirmando as previsões dos analistas. É preciso recuar até 2004 para encontrar um valor mais baixo do que este.

A diminuição do desemprego verificou-se num contexto de aumento da população ativa (o universo de pessoas que está ativamente à procura de trabalho) e foi transversal a todas as faixas etárias e a todos os níveis de escolaridade.

A proporção de desempregados à procura de emprego há um ano ou mais continuou a cair, pelo quarto ano consecutivo, tendo-se fixado nos 51,1% - menos 6,4 pontos do que em 2017 e longe dos 65,5% registados no pico atingido em 2014.

De acordo com o INE, a população desempregada, estimada em 349,1 mil pessoas, diminuiu 1,0% (3,6 mil) em relação ao trimestre anterior, retomando os decréscimos trimestrais observados desde o segundo trimestre de 2016 e interrompidos no trimestre anterior. Em relação ao trimestre homólogo, verificou-se uma diminuição de 17,3% (72,9 mil).

Já a população empregada - 4 883,0 mil pessoas - diminuiu 0,4% (19,8 mil) em relação ao trimestre anterior e aumentou 1,6% (78,1 mil) em relação ao homólogo.

A taxa de desemprego dos homens (6,0%) foi inferior à das mulheres (7,3%) em 1,3 pontos percentuais, tendo a primeira diminuído 0,2 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior e a segunda aumentado 0,1 pontos percentuais.

A taxa de desemprego de jovens (15 a 24 anos) situou-se em 19,9%, menos 0,1 e 3,6 pontos percentuais, respetivamente, que nos trimestres anterior e homólogo.

A proporção de desempregados à procura de emprego há 12 e mais meses (longa duração) foi 47,8%, menos 2,2 e 6,3 pontos percentuais, respetivamente, que nos trimestres anterior e homólogo.

A taxa de subutilização do trabalho - que agrega a população desempregada, o subemprego de trabalhadores a tempo parcial, os inativos à procura de emprego, mas não disponíveis e os inativos disponíveis, mas que não procuram emprego -- manteve-se em 13,1% no quarto trimestre, inalterada face ao trimestre anterior e 2,4 pontos percentuais abaixo do trimestre homólogo de 2017.

No conjunto do ano 2018 a taxa de desemprego foi 7,0%, recuando 1,9 pontos percentuais relativamente a 2017. A população desempregada foi de 365,9 mil pessoas, diminuindo 20,9% (96,9 mil) em relação ao ano anterior, enquanto a população empregada, 4 866,7 mil pessoas, aumentou 2,3% (110,1 mil).

A taxa de desemprego de jovens (15 a 24 anos) situou-se em 20,3% em 2018, 3,6 pontos percentuais abaixo do estimado para o ano anterior, tendo a proporção de desempregados de longa duração sido 51,1%, menos 6,4 pontos percentuais do que no ano transato e registando o quarto decréscimo consecutivo após o valor máximo atingido em 2014 (65,5%).

A taxa de subutilização do trabalho foi 13,7% no conjunto do ano, 2,8 pontos percentuais abaixo da do ano anterior, correspondendo ao valor mais baixo da série iniciada em 2011.

Em 2018, dos jovens dos 15 aos 34 anos residentes em Portugal 9,9% não tinham emprego nem estavam a estudar ou em formação (218,2 mil), uma percentagem que diminuiu 1,3 pontos percentuais (33,1 mil) em relação a 2017.

Segundo o INE, os três indicadores Europa 2020 -- taxa de emprego dos 20 aos 64 anos, taxa de abandono precoce de educação e formação e taxa de escolaridade do ensino superior - com metas para Portugal de 75%, 10% e 40%, respetivamente, situaram-se nos 75,4%, 11,8% e 33,5% (73,4%, 12,6% e 33,5% em 2017).

Analisando as taxas de desemprego por regiões, verifica-se que no quarto trimestre de 2018 a taxa de desemprego foi superior à média nacional em quatro regiões do país: Madeira (8,9%), Açores (8,5%), Algarve (7,8%) e Alentejo (7,7%).

As taxas de desemprego no Norte e na Área Metropolitana de Lisboa igualaram a média nacional (6,7%), tendo a região Centro (5,7%) sido a única abaixo daquele valor.

Em relação ao trimestre anterior, segundo o INE, a taxa de desemprego manteve-se na Madeira, aumentou no Algarve (2,8 pontos percentuais), no Alentejo (1,1 pontos percentuais) e no Centro (0,3 pontos percentuais) e diminuiu nos Açores (0,2 pontos percentuais), na Área Metropolitana de Lisboa (0,4 pontos percentuais) e no Norte (0,5 pontos percentuais).

Em relação ao trimestre homólogo, a taxa de desemprego diminuiu na região Norte (2,6 pontos percentuais), na Área Metropolitana de Lisboa (1,5 pontos percentuais), no Alentejo (0,7 pontos percentuais) e no Centro (0,2 pontos percentuais), tendo-se mantido na Madeira e aumentado no Algarve e nos Açores (0,5 e 0,2 pontos percentuais, respetivamente).

No ano de 2018, as taxas de desemprego mais elevadas, e superiores à média nacional, foram observadas em cinco regiões: Madeira (8,8%), Açores (8,6%), Área Metropolitana de Lisboa (7,4%), Norte (7,3%) e Alentejo (7,2%). Abaixo da média nacional situaram-se as taxas de desemprego do Algarve (6,4%) e do Centro (5,6%).

Em relação a 2017, e à semelhança do observado globalmente para Portugal, a taxa de desemprego diminuiu em todas as regiões, tendo os dois maiores recuos ocorrido no Norte (2,5 pontos percentuais) e na Área Metropolitana de Lisboa (2,1 pontos percentuais).

Segundo recorda o INE, "a população desempregada e a subutilização do trabalho têm descrito uma trajetória descendente desde o primeiro trimestre de 2013, acumulando até ao momento uma diminuição de 62,3% e de 51,4%, respetivamente (abrangendo 577,7 mil e 756,1 mil pessoas)".

"Estas reduções refletiram-se igualmente nas taxas correspondentes, passando a taxa de desemprego de 17,5% para 6,7% e a taxa de subutilização do trabalho de 26,4% para 13,1%", remata.