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Há um milionário russo a querer comprar a dona do Minipreço. E os preços podem mudar

Mikhail Fridman, 10.2 mil milhões de euros, fundador do Alfa Group (banca, petróleo, telecomunicações) (Rússia)

Dona de 29% do DIA, a LetterOne, de Mikhail Fridman, quer adquirir a maioria do capital da retalhista. O fundo quer depois um acordo com a banca e um aumento de capital 500 milhões de euros

Há mudanças à vista no DIA - Distribuidora Internacional de Alimentação, a empresa que é dona do português Minipreço. Um milionário russo, Mikhail Fridman, conhecido pelo apoio à comunidade judaica e que já é dono de 29% da retalhista, propôs-se a adquirir o restante que não está nas suas mãos. Depois, avança com a vontade de negociar com a banca credora da empresa espanhola, de forma a libertar o DIA dos constrangimentos financeiros que tem vivido. Além disso, propõe um aumento de capital de 500 milhões de euros. A estratégia definida prevê um plano de transformação, em que sugere mexidas nos preços da empresa.

A LetterOne, através do seu braço de retalho L1Retail, é dona de 29% do DIA e quer a totalidade do capital, segundo o comunicado ao regulador espanhol do mercado de capitais (CNVM). Sendo assim, a oferta dirige-se, na prática, a 71% do capital social do DIA, cujas ações representativas estão cotadas na bolsa de Madrid.

Tendo em conta que o preço oferecido nesta oferta é de 67 cêntimos por ação, a compra pode custar um total de 296 milhões de euros. A contrapartida corresponde a uma valorização de 56% face à cotação de fecho de segunda-feira, nos 43 cêntimos, mas fica aquém do preço a que as ações cotaram no último ano, período em que os títulos se têm vindo a desvalorizar devido às dificuldades financeiras.

O preço está também distante dos 3,73 euros por ação pagos por empresas do grupo de Fridman nos últimos 12 meses. Contudo, como sublinha o jornal espanhol Cinco Días, a legislação espanhola abre margem para que esse preço não tenha de ser cumprido quando se tratam de ofertas voluntárias (como é o caso), e não obrigatórias. Uma oportunidade para compras em saldos, classificação dada pela mesma publicação.

A oferta, dependente de autorizações da Comissão Europeia e do Brasil, será bem-sucedida se metade das ações a que a OPA se dirige mduar de mãos (ou seja, 35,5% do capital do DIA). Assim, o oferente quer acabar a operação com pelo menos 64,5% (a soma dessa parcela com os 29% que já estão na sua posse).

Após a operação, caso seja bem-sucedida, a L1 Retail compromete-se a um aumento de capital de 500 milhões de euros, operação que está dependente de um acordo com os bancos credores da retalhista. Nessa oferta, o grupo dispõe-se a subscrever a parcela correspondente à sua participação pós-OPA.

“Ajustar preços e promoções” é prioridade

Na nota de imprensa enviada à espanhola CNMV, a L1 Retail refere que, além da oferta, há um “plano de resgate integral para garantir o futuro do DIA”. E há aqui novidades. “Ajustar preços e promoções” é uma das medidas elencadas. A estratégia de preço da retalhista vai mudar, ainda que sejam poucos os pormenores divulgados. Mudar a forma de determinação do preço e de definir as promoções são propostas. “Reduzir e reaproveitar as promoções para melhorar a perceção de preço”, é uma das iniciativas estratégicas propostas.

A renovação da marca DIA também está em cima da mesa desta sociedade de investimento, cujo fundador entrou em 1995 no mundo do comércio alimentar, sendo que o destaque é a X5 Retailg Group, a líder do setor na Rússia.

Para já, este anúncio da transação - dependente da aceitação dos restantes acionistas e também dos credores - está a contribuir para uma valorização expressiva das ações do DIA, que já estiveram a disparar 70% para os 73,2 cêntimos, acima do preço oferecido na OPA.