Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Vinho do Porto tem de concorrer com a canábis no Canadá

Rui Duarte Silva

Após a liberalização do consumo, a canábis e o vinho do Porto passaram a estar nas mesmas lojas. “É uma ameaça como não imaginávamos”, diz o sector

Os números de 2018 ainda não estão fechados, mas até novembro as vendas de vinho do Porto no Canadá caíram 9,7% face a período homólogo, muito por culpa da liberalização do consumo da canábis, diz o sector.

"A canábis tornou-se uma verdadeira ameaça em países como o Canadá, onde há monopólio do Estado no vinho", afirma Isabel Marrana, diretora executiva da Associação das Empresas de Vinho do Porto (AEVP), comentando que a sua venda "é muito atrativa por se tratar de um produto muito taxado e gerador de dependência".

Tal como o vinho do Porto, a canábis é um produto de monopólio do Estado no Canadá, o que significa que cabe ao Estado decidir o que importa, de onde importa e onde vende ao público. Assim, depois de o país aprovar, em 2018, o uso recreativo desta substância, criando um mercado legal para este produto, a canábis e o vinho do Porto passaram a estar nas mesmas lojas.

E o vinho do Porto ressentiu-se de imediato. Até novembro, as vendas do sector caíram 2,8% no seu conjunto, para 333,7 millhões de euros. No Canadá, 8º mercado de exportação, com uma quota de 3,1% (10,3 milhões de euros), as perdas rondam os 10% face a período homólogo.

"Fazem-se filas à porta das lojas para a canábis, que se está a revelar super rentável. O foco foi desviado para esta substância e os outros produtos do monopólio do Estado estão a sofrer com este boom", comenta Isabel Marrana.

"É uma ameaça como não imaginávamos", acrescenta.

O vinho do Porto será um dos produtos mais afetados porque o Canadá, entretanto, "permitiu a venda de bebidas alcoólicas nos supermercados, mas fixou um limite do grau de álcool e o vinho do Porto, que tem mais de 18 graus, ficou fora", refere.

Adrian Bridge, do grupo The Fladegate Partnership, confirma o impacto da canábis nas vendas do vinho do Porto e da sua empresa, sublinhando que "já foram canceladas várias ações de promoção nos últimos meses".

O mercado canadiano continua, no entanto, a ser considerado "muito importante" e a estar "na mira de investimento promocional do sector", diz Isabel Marrana, garantindo que todos estão apostados em contrariar o declínio das vendas no país e a estudar formas de chegar junto dos consumidores e dos decisores.

Um dos exemplos é o trabalho conjunto que a AEVP está a fazer com a Confraria do Vinho do Porto e o Instituto dos Vinhos do Douro e Porto para uma ação promocional em maio, em Montreal, que junta empresas, um concurso de sommeliers e a entronização de confrades locais.